Pousadas de Portugal investem 60 Me em novos quartos

O grupo Pestana Pousadas vai acrescentar 500 a 600 quartos à cadeia em Portugal, nos próximos cinco anos, num investimento estimado em cerca de 60 milhões de euros, anunciou hoje o seu presidente.

Agência LUSA /

José Roquette, que falava numa conferência de imprensa, explicou que destes novos quartos, para perfazer um total de 1.500 num prazo de cinco anos, 220 resultam de três novas pousadas integradas no plano de expansão do grupo Pestana para Portugal.

O responsável referiu que, nas pousadas, o investimento médio por quarto é de cerca de 100 mil euros.

As novas unidades da rede de Pousadas de Portugal são a de Viseu, com 68 quartos, com início de construção previsto para Janeiro e um investimento de 7,5 milhões de euros, a do Palácio do Freixo, no Porto, e a do Palácio da Vista Alegre.

Depois de vários problemas, José Roquette diz ter agora garantida a "luz verde" do presidente da Câmara Municipal do Porto para avançar o projecto da pousada do Palácio do Freixo.

Entretanto, o plano de internacionalização, apresentado há mais de um ano e que ainda aguarda a posição do governo, continua a ser trabalhado, após a concretização da primeira pousada fora de Portugal, em Salvador da Baia, a inaugurar no final do mês.

"Se o plano de internacionalização avançar em pleno, considerando uma dimensão mínima de 70 a 80 quartos, com três a cinco unidades garantiriam 200 a 300 novos quartos, elevando a rede para dois mil quartos, o dobro da dimensão actual, potenciando novos níveis de rentabilidade", afirma o grupo.

Aliás, este ritmo de crescimento vai mesmo exigir um aumento de capital do grupo Pestana Pousadas, que José Roquette confirma, mas não define montantes ou datas.

O grupo Pestana necessita da autorização do Estado para utilizar a marca Pousadas de Portugal no estrangeiro, o que obteve para o Convento do Carmo, em Salvador da Baia.

A contrapartida pedida ao Governo pelo Pestana para instalar- se em outros países, como Marrocos ou Angola, passa pelo aumento do período de concessão da exploração das pousadas, de modo a "ter tempo para recuperar os investimentos" e não por apoios financeiros, avançou José Roquette.

O grupo pretende que a regra de aumentar cinco anos à concessão de 15 anos por cada 200 a 300 quartos acrescentados à rede além do inicialmente previsto se prolongue também às unidades instaladas fora de Portugal.

"O governo também está interessado na exportação da marca Pousadas de Portugal pois o Estado também vai beneficiar da promoção de uma imagem de qualidade", referiu o presidente da Pestana Pousadas, acrescentando ter recebido "sinais positivos" da parte do Executivo.

Além de Marrocos, o processo que se encontra mais avançado, estão também a ser feitos estudos em Luanda, Cabo Verde (Mindelo) e S.Tomé.

A instabilidade política é a razão dada para a demora na resposta ao plano de internacionalização, tal como no tempo de espera para obter licença junto da Câmara Municipal do Porto para instalar uma unidade hoteleira no Palácio do Freixo.

Após Rui Rio ter conseguido maioria na Câmara do Porto a situação ficou facilitada e o presidente da edilidade já deu "luz verde" para o projecto, embora José Roquette não queira avançar datas para o início das obras.

Além dos 220 quartos garantidos para as unidades de Viseu, do Porto e do Palácio da Vista Alegre, as Pousadas de Portugal vão ter mais 150 quartos oriundos de unidades franchisadas ou adquiridas.

"Em Portugal é muito difícil obter licenciamento [para unidades hoteleiras], sendo mais fácil adquirir", defendeu José Roquette admitindo estas alternativas para aumentar a rede de pousadas.

Por outro lado, existem novas pousadas da responsabilidade da Enatur, a que se refere, 93 novos quartos, nos Açores e em Tavira, a que se juntam cerca de 100 quartos resultantes da concretização do plano de redimensionamento.

O responsável explicou que algumas unidades das Pousadas de Portugal podem beneficiar de um aumento do número de quartos, como são os casos de Sagres, Quinta da Ortiga, Sousel, Palmela Óbidos ou Gerês.

Após a conclusão do actual plano de expansão, José Roquette admite avançar para um segundo plano, visando outras cidades portuguesas como Coimbra.

As Pousadas de Portugal, com 40 unidades, são geridas desde 2003 pelo grupo Pestana Pousadas, no seguimento do processo de privatização de 49 por cento do capital da Enatur.

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