PR pede Estado aliado dos contabilistas com estabilidade na legislação fiscal e celeridade na justiça

PR pede Estado aliado dos contabilistas com estabilidade na legislação fiscal e celeridade na justiça

O Presidente da República, António José Seguro, defendeu hoje que o Estado deve ser um aliado dos contabilistas, garantindo estabilidade na legislação fiscal, celeridade na justiça, menos burocracia e mais modernização de procedimentos.

Lusa / Adicionar como fonte informativa
Rui Minderico - Lusa

O chefe de Estado discursou esta noite no jantar de abertura do 8.º Congresso dos Contabilistas Certificados, em Lisboa, no qual participou também o ministro Adjunto e da Reforma do Estado, Gonçalo Matias.

António José Seguro considerou que, para estes profissionais estarem mais libertos de tarefas repetitivas e para se poderem focar no crescimento dos seus clientes, «é necessário também ter no Estado um aliado, designadamente ao garantir estabilidade na legislação fiscal, permitindo que as mudanças operadas, ainda que incontornáveis, possam ser planeadas, preparadas e debatidas com tempo suficiente para serem executadas sem percalços».

«Um aliado na celeridade na tomada de decisões administrativas e judiciais e, finalmente, um aliado na redução da burocracia, simplificação e modernização de procedimentos», defendeu, afirmando que «só assim as ferramentas informáticas poderão ter um verdadeiro impacto na prestação» do novo modelo de contabilista.

Num discurso de pouco mais de 10 minutos, Seguro alertou que, apesar de «a desmaterialização e a digitalização de processos, a integração de sistemas inteligentes e de análise preditiva» já fazerem parte do dia a dia dos contabilistas certificados, a inteligência artificial generativa «coloca desafios técnicos e de grande exigência, mas coloca também e sobretudo desafios de natureza ética».

«No meu entender, nenhum sistema, por mais sofisticado que seja, substitui o julgamento profissional, a independência de espírito e a integridade que sempre distinguiram o contabilista certificado. Nenhum algoritmo assume responsabilidade, a responsabilidade ética pertence e continuará a pertencer ao ser humano, a capacidade de gerir dilemas éticos com serenidade, de comunicar com empatia, de resistir a pressões indevidas, de manter a lucidez em contextos de grande complexidade, tudo isso é hoje tão relevante quanto o domínio técnico das normas e dos sistemas», apontou.

O Presidente da República sustentou que, «num tempo em que tudo se acelera, a maturidade e o discernimento ético são condições de confiança pública».

António José Seguro defendeu igualmente que a profissão de contabilista certificado «deve ter um merecido reconhecimento público».

O chefe de Estado destacou que estes profissionais «contribuem para a solidez das empresas e para a credibilidade do país perante os mercados e os parceiros internacionais», assim como a proximidade junto das empresas.

«Numa economia como a nossa, composta maioritariamente por pequenas e médias empresas, o contabilista certificado é o interlocutor técnico de confiança que o empresário tem ao seu lado quando decide investir, contratar, financiar-se ou reestruturar o seu negócio», assinalou.

 

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