Preços dos alimentos sobem em julho devido às condições geopolíticas e climáticas

Preços dos alimentos sobem em julho devido às condições geopolíticas e climáticas

As ondas de calor, os preços da energia e uma situação geopolítica tensa impulsionaram o Índice de Preços dos Alimentos da FAO em julho, especialmente devido aos preços do açúcar, dos cereais e dos óleos vegetais.

Cristina Sambado - RTP / Adicionar como fonte informativa
António Antunes - RTP

O Índice de Preços dos Alimentos da FAO subiu 0,6% em julho em comparação com o mês anterior e 1% em comparação com o mesmo período do ano passado, revelou a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) esta sexta-feira.

Os preços globais dos alimentos atingiram o seu nível mais elevado em três anos e meio, com ondas de calor no Verão e conflitos na Ucrânia e no Médio Oriente a elevar os custos das colheitas.
O índice, que acompanha as variações mensais de um cabaz de produtos alimentares comercializados internacionalmente, subiu para 131,1 pontos em julho, face aos 130,3 de junho.

O aumento dos preços dos alimentos básicos tende a traduzir-se em preços mais elevados nas prateleiras nos meses seguintes, à medida que os fornecedores repercutem os seus custos nos consumidores.

Em julho, o aumento esteve associado aos preços do açúcar (+5,6%), dos cereais (+3,4%) e dos óleos vegetais (+2%).

Estes aumentos foram "parcialmente compensados por quedas" nos preços das "carnes e dos produtos lácteos", segundo a FAO.

Os preços do açúcar dispararam no mês passado devido às preocupações com os efeitos das ondas de calor e das secas na produção europeia e do fenómeno El Niño na produção asiática, observou a FAO. No entanto, o índice mantém-se 8% abaixo do registado no ano passado.

A onda de calor que atingiu a Europa em junho terá obrigado os produtores de cereais a destruir nove milhões de toneladas de culturas, como o trigo, a cevada, o milho e a aveia. As alterações climáticas também afetaram os cereais, em particular o trigo, cujos preços dispararam (+5,8% em Julho e +9,9% face ao ano anterior).

Os preços do trigo também estão sujeitos a "crescentes preocupações relativamente às contínuas interrupções nos fluxos de exportação no Mar Negro", sublinhou a FAO.

A produção de milho (com preços a subir 3,6%), já afetada pelos preços da energia, também sofreu com o calor.

Os preços do arroz mantiveram-se geralmente estáveis.

O índice de preços das matérias alimentares da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) subiu no mês passado para o nível mais elevado desde janeiro de 2023.


A guerra com o Irão também tem pressionado os preços dos alimentos nos últimos meses, uma vez que cerca de um terço da produção de fertilizantes passa pelo Estreito de Ormuz.O índice de óleos vegetais atingiu "o seu nível mais elevado desde junho de 2022". Os preços do óleo de palma são "principalmente sustentados pela forte procura do sector indonésio do biodiesel e pela subida dos preços do crude". Os preços do óleo de soja também aumentaram, enquanto os preços dos óleos de girassol e de colza caíram, segundo a FAOPreço das carnes e produtos lácteos desceramO preço da carne registou uma descida de 2,8% em relação ao máximo histórico de junho, registando a primeira descida mensal do ano.

Os preços das aves também diminuíram, "em grande parte devido aos preços mais baixos no Brasil, num contexto de oferta abundante para exportação", tal como os preços da carne de porco e da carne bovina.

Apenas os preços da carne de ovino subiram em julho, atingindo mesmo um novo máximo histórico.O índice de preços dos produtos lácteos desceu ligeiramente (-0,7%), graças à queda dos preços da manteiga e do leite em pó, que compensou o aumento dos preços do queijo.

A situação é particularmente grave para as pessoas em situação de insegurança alimentar aguda; o Programa Alimentar Mundial da ONU alertou esta semana que 50 milhões de pessoas serão provavelmente empurradas para a fome aguda até ao final do próximo ano devido ao fenómeno climático El Niño.

c/agências 
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