Preços vão normalizar e até baixar, mas por influência da descida da energia

Independentemente da redução do IVA, o preço dos produtos alimentares vai normalizar, e até baixar ao longo do ano, em consequência da redução do preço do gás e da eletricidade nos mercados internacionais.

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Em entrevista à Antena1 e ao Jornal de Negócios, o antigo ministro das Finanças, João Leão, acredita numa redução da inflação "sem grande dor para a economia" e diz que "as pessoas não devem temer um agravamento dos preços” porque a tendência não é essa. Explica que atualmente os preços na produção ainda estão elevados porque ainda estão a refletir os aumentos do trimestre passado do gás e da eletricidade, mas com a redução que se verifica atualmente nos mercados internacionais, dentro de 4 a 6 meses, os efeitos já se vão fazer sentir na economia e na redução dos preços.

Para além da redução dos preços da energia, o antigo ministro das Finanças aponta ainda como positivo o facto das expetativas de inflação na zona euro se manterem estáveis, o que leva a crer que será possível a inflação voltar para perto dos 2 por cento, com "uma aterragem suave, sem grande dor na economia".

Num cenário positivo. em que se mantenha a redução dos preços de energia, João Leão admite que as taxas de juro ainda possam subir, mas de forma moderada durante este ano, para baixarem em 2024. A expectativa é que a inflação desça para perto dos 3 por cento no final deste ano, e que caminhe para os 2 por cento em 2024. João Leão aconselha o governo a acompanhar o impacto da redução dos preços da energia na economia para que efetivamente se sinta uma redução dos preços ao consumidor. E, com uma redução nos preços das matérias-primas, as empresas têm agora mais margem para melhorar salários.

Sobre a redução do IVA, João Leão considera que teria sido preferível fortalecer as medidas de apoio às famílias mais carenciadas. Ainda assim, assinala como vantagens da redução do IVA para a taxa zero em certos produtos do cabaz alimentar, o facto do governo ter garantido, em acordo com os retalhistas e os produtores, uma baixa efetiva dos preços junto do consumidor. Esta medida deve ser temporária, defende, não se deve prolongar por mais de 6 meses.

Em relação à TAP, João Leão - que à data era ministro das Finanças - reitera que não teve conhecimento da negociação de cessação contratual e pagamento de indemnização de 500 mil euros a Alexandra Reis. Rejeita falar de ocultação, mas reconhece que a administração da TAP tinha o dever de informar.

Entrevista conduzida por Rosário Lira (Antena1) e Susana Paula (Jornal de Negócios).
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