Prejuízos do Lehman Brothers ainda por contabilizar
O valor que os Estados Unidos injectaram na economia para evitar a falência de centenas de bancos dava para comprar em bolsa as 20 maiores empresas portuguesas. Um ano após a falência do Lehman Brothers, a CGD admite perdas potenciais de 103 milhões de euros. O presidente dos EUA sublinha ser necessário aproveitar a oportunidade de reforma do sistema financeiro.
O presidente dos EUA defendeu que as suas propostas de regulação financeira devem ser aprovadas para evitar que se repita um cenário semelhante ao colapso do Lehman Brothers.
Contudo, as medidas da administração Obama - como a proposta de reforma do sistema de saúde - estão a ser cada vez mais contestadas pelos eleitores. Também os grupos de pressão das instituições financeiras estão a actuar em Washington.
Barack Obama foi dizer que há duas palavras-chave para o novo modelo económico e financeiro: transparência e responsabilidade.
Montante total das perdas ainda por apurar
O montante que a administração dos EUA (37,6 milhões de euros) gastou em apoios aos bancos dava para comprar, em bolsa, as 20 maiores empresas portuguesas (24,9 mil milhões de euros). A verba salvou da falência 92 instituições financeiras só este ano, das quais 80 são bancos. Estão em risco de falência 416 instituições.
A falência do banco de investimento Lehman Brothers, há um ano, provocou uma onda de perdas financeiras de níveis históricos. Os bancos restringiram fortemente o acesso ao crédito, tendo a concessão descido em 80 por cento. As perdas acumuladas no principal índice da bolsa de Nova Iorque, o Dow Jones, eram em Março de 42 por cento.
Considerado o "11 de Setembro financeiro", a falência do banco teve repercussões em todo o mundo, considerada a maior crise desde a Grande Depressão.
Falência do Lehman causa prejuízos em Portugal
A Caixa Geral de Depósitos (CGD) regista perdas potenciais de 103 milhões de euros. O presidente da instituição espera que "as perdas sejam menores do que estava previsto". Faria de Oliveira não avança uma previsão para as perdas efectivas "porque vai depender da evolução da situação do mercado".
"O valor das perdas potenciais foi todo previsto e já consta no balanço da empresa", sublinha o presidente da CGD.
A CMVM estima que as perdas em Portugal ascendam aos 185 milhões de euros, entre fundos de investimento (61 milhões) e gestão de património (124 milhões), revela na edição de terça-feira o "Jornal de Negócios". Se se confirmar a previsão de recuperação de 30 por cento do investimento, o valor total das perdas em Portugal poderá ser de 130 milhões de euros.