Presidente da Câmara pede mais atenção para a indústria da Marinha Grande
O papel da Marinha Grande na história da indústria nacional e a relevância mundial que tem hoje devido ao `cluster` dos moldes são pouco valorizados em Portugal, considerou hoje a presidente do munícipio.
Na véspera de celebrar, no sábado, os 250 anos da chegada do industrial inglês Guilherme Stephens à cidade, num projeto forjado no século XVIII por Marquês de Pombal e que revolucionou a povoado e marcou até hoje o setor secundário nacional, Cidália Ferreira considera que "falta olhar com mais atenção para a Marinha Grande".
"Internacionalmente, a Marinha Grande é bem conhecida e reconhecida pela excelência das nossas indústrias, que são tecnologicamente avançadas. Por isso, temos a qualidade de produto que temos e o valor de exportações que apresentamos: somos o segundo concelho do país a contribuir financeiramente para as exportações", sublinha a autarca à agência Lusa.
Cidália Ferreira acredita que "o Governo reconhece o que a Marinha Grande faz", ou não estivesse ali instalado "um `cluster` [nos moldes] que não existe em mais lado nenhum no nosso país".
Mas a importância económica da indústria do concelho "não é tão reconhecido a nível nacional".
"Falta olhar com mais atenção para o caso da Marinha Grande: deixou de ser capital vidreira para ser a capital dos moldes. Ainda se faz cá vidro, em termos de embalagem - as grandes garrafeiras continuam a estar sediadas aqui - mas é através dos moldes e dos plásticos, sobretudo para a indústria automóvel e outras, que nos afirmarmos como um verdadeiro e único `cluster` nacional".
Toda esta história começou com a chegada de Guilherme Stephens, há 250 anos, marcando aquilo que a presidente da câmara chama "ADN da Marinha Grande".
"É um exemplo que queremos continuar a seguir e em que nos revemos. É por esses valores que queremos manter viva a imagem de Guilherme Stephens e o que eles representaram para a Marinha Grande".
O presidente da Cefamol - Associação Nacional da Indústria de Moldes reforça: "Foi a partir de Guilherme Stephens que a Marinha Grande se projetou para o que é hoje".
João Faustino recorda que, a partir daí, "a Marinha projetou-se primeiro como `ecossistema` a produzir vidro no país, num momento em que ele era uma necessidade muito real", evoluindo depois para a indústria dos moldes, "uma das forças da Marinha Grande e do país".
Hoje, Portugal é o oitavo produtor mundial do setor, realça, lembrando que "na Marinha Grande e em Oliveira de Azeméis existem os equipamentos mais modernos a nível mundial que se podem utilizar na indústria de moldes".
O presidente da Cefamol não tem dúvidas: "Se a Real Fábrica do Vidro não tivesse existido na Marinha Grande, não teríamos esta quantidade e qualidade de indústrias que temos hoje. Todos os dias nos são solicitadas cotações para os projetos mais inovadores a nível automóvel e outras indústrias. É uma cidade onde se respira qualidade, inovação e dinamismo".
Apesar disso, na Marinha Grande vive-se um "momento de viragem".
"Com a indústria 4.0, muitas empresas estão-se a ajustar e a reinventar, com a introdução de sistemas de robots, para continuarem na vanguarda do progresso e da inovação que esta indústria precisa".
Afinal, conclui João Faustino, na Marinha Grande "todos os dias há um desafio".
"Somos desafiados pelos nossos clientes para podermos competir nos projetos mais audazes e sofisticados que existem a nível mundial", sintetiza.