Presidente da Colômbia destitui ministro do Interior após dois meses no cargo

Presidente da Colômbia destitui ministro do Interior após dois meses no cargo

O Presidente da Colômbia, Abelardo de la Espriella, demitiu Rodrigo Lara Restrepo do cargo de ministro do Interior, após dois meses em funções, e nomeou Alejandro Ordóñez Maldonado, até agora embaixador junto da Organização dos Estados Americanos (OEA).

Lusa / Adicionar como fonte informativa

"Agradeço ao Dr. Rodrigo Lara Restrepo pelo seu serviço prestado à Colômbia. Dou as boas-vindas ao Dr. Alejandro Ordóñez Maldonado, que assumirá o cargo de novo ministro do Interior", anunciou o chefe de Estado, na quarta-feira, na rede social X.

De la Espriella não explicou os motivos da destituição de Lara, um dos principais ministros da nova Administração colombiana.

O anúncio aconteceu no mesmo dia em que o Governo teve de aprovar, por decreto, o orçamento público, depois de uma falha formal ter invalidado o texto aprovado na véspera pelas duas câmaras do parlamento, o Congresso.

A exoneração acontece, além disso, numa altura em que o Governo enfrenta dificuldades para consolidar uma coligação sólida no Congresso que lhe permita levar avante as iniciativas legislativas.

Advogado de formação, Lara conta com um percurso de duas décadas no serviço público, a começar em 2006, durante o governo de Álvaro Uribe (2002-2010), período em que ficou conhecido como "czar anticorrupção".

Lara foi senador, representante na Câmara de Deputados e presidente da câmara baixa do Congresso entre 2017 e 2018. Depois de se distanciar do partido Cambio Radical, concorreu, sem sucesso, como candidato independente à Câmara Municipal de Bogotá em 2023.

Em agosto passado, após a vitória de De la Espriella nas eleições presidenciais, assumiu o cargo de ministro do Interior. Cedo se destacou como uma das pessoas mais próximas do Presidente e como um dos poucos ministros autorizados a fazer declarações à imprensa.

O novo titular do cargo, Alejandro Ordóñez, foi procurador-geral entre 2009 e 2016 e é conhecido pelas posições conservadoras e religiosas.

Durante o mandato, opôs-se ao aborto e ao casamento entre ou adoção de menores por casais do mesmo sexo e foi um crítico do acordo de paz assinado com as extintas guerrilhas das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), em 2016.

Em setembro de 2016, o Conselho de Estado declarou nula a reeleição de Ordóñez como procurador-geral, por considerar que tinha violado a Constituição ao nomear, no Ministério Público, "familiares de dois dos magistrados do Supremo Tribunal de Justiça que tiveram competência para intervir" na sua designação.

A passagem de Ordóñez pela OEA também gerou controvérsia devido a declarações sobre a chamada "batalha cultural", ao grito de "Viva Cristo Rei" que proferiu na primeira intervenção, e às posições sobre os direitos sexuais e reprodutivos.

O Presidente da Colômbia decretou na segunda-feira uma "ofensiva total" contra a guerrilha do Exército de Libertação Nacional (ELN) e dissidentes das FARC, grupos que acusou de narcoterrorismo.

Ao contrário do antecessor de esquerda, Gustavo Petro, que tinha iniciado negociações de paz com grupos armados, de la Espriella prometeu combater frontalmente o crime organizado no país, com o apoio dos Estados Unidos.

 

 

 

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