Presidente da Guiné Equatorial troca ministro das Finanças por vice e exige "mecanismos" para enfrentar a crise
O Presidente da Guiné-Equatorial nomeou Valentín Ela Maye como novo ministro das Finanças da Guiné Equatorial, substituindo no cargo César Augusto Mba Abogo, que tinha sobrevivido à remodelação governamental em meados de agosto passado.
Ela Maye, até agora vice-ministro das Finanças, Economia e Planeamento, recebeu de Teodoro Obiang Nguema instruções para dar prioridade à "busca de mecanismos", segundo a página oficial do Governo equato-guineense, para enfrentar "em simultâneo" a crise económica criada pela queda dos preços do petróleo e a crise sanitária da covid-19.
Na cerimónia de posse, esta terça-feira, Obiang deu ainda instruções ao novo ministro para que desenvolva políticas que estimulem a consciência dos contribuintes em relação às suas obrigações, apontando para a necessidade de o país reforçar as receitas fiscais.
A troca de titulares da pasta das Finanças e Economia acontece poucos meses depois da demissão em bloco do Governo do atual primeiro-ministro, Francisco Pascual Obama, e no contexto de crescentes dificuldades económicas, que levaram o executivo a tomar medidas drásticas, incluindo despedimentos em várias empresas públicas.
Os principais membros do Governo de Francisco Pascual Obama foram reconduzidos por Obiang nas respetivas pastas em 19 de agosto último. No âmbito dessa tomada de posse, o Governo declarou que era obrigado "a tomar medidas rigorosas para mitigar os efeitos de uma grave recessão económica e prevenir a instabilidade política e social".
O próprio Obiang sublinhou que "razões económicas" justificaram a dissolução do Governo anterior e que o novo executivo, ainda que fundamentalmente o mesmo, devia "procurar soluções específicas e viáveis para resolver os atuais problemas enfrentados pelos países do mundo e os problemas económicos".
A consultora Economist Intelligence Unit (EIU) considerou hoje que a Guiné Equatorial vai necessitar de mais ajuda financeira além do programa do Fundo Monetário Internacional (FMI), antevendo uma queda de 5,5% no PIB em 2021.
"Antevemos que a Guiné Equatorial vá pedir mais assistência além do seu atual pacote de financiamento, e cumprir as condições prévias de financiamento dos credores será uma das principais prioridades políticas, com o Governo a tentar encontrar maneiras de gerir o forte choque nas receitas causado pela pandemia", escrevem os peritos da unidade de análise económica da revista britânica The Economist.
Numa nota sobre a economia deste país lusófono, enviada aos clientes e a que a Lusa teve acesso, os analistas estimam que a Guiné Equatorial enfrente uma recessão de 12,7% do PIB este ano e que em 2021 a economia volte a quebrar, ao contrário do que prevê o FMI, que vê a economia já a recuperar no próximo ano.
Desde a sua independência de Espanha, em 1968, a Guiné Equatorial tem sido considerada pelos grupos de direitos humanos como um dos países mais repressivos do mundo, devido a alegações de detenção e tortura de dissidentes e de fraude eleitoral.
Obiang, que tem liderado o país desde 1979, quando derrubou o seu tio Francisco Macias num golpe de Estado, é o Presidente em funções há mais tempo em todo o mundo.
A Guiné Equatorial integra a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) desde 2014.