Presidente da NERSANT desafia CIP a "vergar" Governo noutras questões "fundamentais" para a economia

Santarém, 11 Jan (Lusa) - O presidente da Associação Empresarial da Região de Santarém desafiou hoje o presidente da Confederação da Indústria Portuguesa (CIP) a "vergar" o Governo em áreas fundamentais para a competitividade da economia, como fez, diz, com o novo aeroporto.

© 2008 LUSA - Agência de Notícias de Portugal, S.A. /

José Eduardo Carvalho considerou também que a decisão da localização do novo aeroporto em Alcochete foi uma vitória do presidente da República e que o ministro das Obras Públicas tem de abandonar o governo.

"Tenho a esperança que o presidente da CIP, que vergou o Governo num projecto de 3.000 milhões de euros, tenha o mesmo poder para vergar o Governo para alterações como as da legislação laboral, reforços dos apoios à internacionalização e de capitais próprios", entre outras medidas "fundamentais" para a economia portuguesa, afirmou José Eduardo Carvalho à agência Lusa.

Para o presidente da Nersant, a decisão anunciada pelo Governo, de localização do novo aeroporto de Lisboa na margem sul, "é uma vitória clara do Presidente da República, como, aliás, já se previa".

No seu entender, depois desta decisão, o ministro das Obras Públicas, Transportes e Comunicações, Mário Lino, "não tem condições para continuar no Governo".

"Para quem acompanhou todo o processo e as várias tomadas de posição" do ministro Mário Lino, este "deixou de ter credibilidade pública", afirmou.

José Eduardo Carvalho sublinhou que a decisão anunciada quinta-feira foi "política, não técnica", referindo sinais que "há meses apontavam para um acordo entre o primeiro-ministro e o presidente da República sobre a localização do aeroporto".

No seu entender, começam também a ser evidentes os sinais do "ciclo eleitoral que se aproxima".

José Eduardo Carvalho desafiou ainda o ex-ministro da Economia Augusto Mateus, que "trabalhou" para as duas localizações, a "demonstrar publicamente" que, como afirmou, Ota ou margem sul era "indiferente" para o distrito.

"Face aos estudos que existiam e à reflexão feita considerei que a Ota servia melhor" o distrito e o país, disse.

"Talvez agora o professor Augusto Mateus me convença do contrário", acrescentou.

MLL

Lusa/Fim


PUB