Presidente da NYSE Euronext Lisboa apela a uma "desintermediação" do financiamento
Lisboa, 05 dez (Lusa) -- O presidente do conselho de administração da NYSE Euronext Lisboa, Luís Laginha de Sousa, apelou hoje a uma "desintermediação" num período em que as fontes tradicionais de financiamento são mais difíceis e mais caras.
"Num período em que as fontes tradicionais de financiamento estão a tornar-se mais difíceis e mais caras é essencial encontrar alternativas. Neste contexto, a desintermediação faz todo o sentido e é o caminho", afirmou hoje Luís Laginha de Sousa, na cerimónia especial de apuramento dos resultados da oferta pública de subscrição de obrigações "EDP 2011-2014".
De acordo com o presidente da NYSE Euronext Lisboa, "importa aproveitar todas as soluções disponíveis para lidar com os problemas e estamos ainda muito longe, enquanto país e enquanto mercado, de utilizar todas as soluções que o mercado regulado permite".
"A solução não é só cotar empresas em bolsa, pode ser colocar instrumentos de dívida, como aconteceu hoje [com a EDP], ou cotar fundos", defendeu.
Luís Laginha de Sousa realçou que "é importante para a economia portuguesa conseguir captar todo o investimento internacional para fazer face às necessidades de financiamento", considerando que "as empresas de maior dimensão têm um papel acrescido, de fazer tudo que está ao alcance para captar investimento internacional, mas também de modo a libertar recursos para as empresas de menor dimensão e que não tem essa capacidade de se financiar no exterior".
Por isso, acrescentou, "estar ativamente presente no exterior é fundamental, porque "as oportunidades no mercado global existem para fazer face a questões conjunturais, como é o caso da dívida soberana".
Ao mesmo tempo, realçou, "a confiança é um elemento que tem que ser solidificado, alargado para níveis que permitam aos agentes económicos aproveitarem as oportunidades e não desperdiçarem a energia a avaliar as ameaças".
A Euronext Lisboa divulgou hoje que a procura de obrigações da EDP superou em 38 por cento a oferta de títulos da elétrica até 200 milhões de euros, com taxa anual bruta de seis por cento.