Presidente da TAP admite a venda da Portugália-PGA

A greve dos pilotos da PGA levou o presidente da TAP a dizer que "perdeu toda a paciência" e até admite a venda da empresa. Os pilotos da Portugália-PGA iniciaram hoje uma greve de dez dias reivindicando a adopção de um Regulamento de Utilização num contexto "seguro e sustentável, através da instituição dos mecanismos de dissipação da fadiga recomendados". 

RTP /
Greve dos pilotos da PGA-Portugália pode levar à separação da TAP. RTP

A greve dos pilotos da Portugália começou às 00.00 horas de hoje e irá prolongar-se por dez dias, até 13 de Junho, tendo desde já provocou o cancelamento de duas das cinco ligações previstas até às 8 horas desta manhã.

Esta é uma greve que surge num momento de crise na TAP, empresa que detém a PGA, e por isso foi fortemente criticada pelo presidente da transportadora aérea portuguesa, o brasileiro Fernando Pinto, que o levou a afirmar que "perdeu toda a paciência" com os pilotos da Portugália - PGA que estão a "ultrapassar todos os limites".

Os pilotos da PGA - Portugália Airlines avançaram para a greve na sequência de negociações falhadas com a administração da TAP sobre as condições de trabalho, mas Fernando Pinto já declarou que "não há empresa que resista a dez dias de greve".

Estima o presidente da TAP que o período de greve custe à TAP "mais de um milhão de euros", uma verba demasiado alta que leva mesmo Fernando Pinto a admitir que pode tomar medidas drásticas, sendo uma delas a de abdicar da PGA, empresa que é detida a 100 por cento pelo grupo.

"A TAP adquiriu a PGA com o objectivo de esta contribuir para o negócio. Se a Portugália passa a ser um problema, então não teremos condições de a sustentar" esclareceu Fernando Pinto.

Para o presidente da TAP os "sindicatos optaram pela radicalização" e que desta forma os pilotos "estão a destruir o maior activo da empresa, a visão de qualidade que o passageiro sempre teve da Portugália".

Voos cancelados

Nas oito primeiras horas da greve foram cancelados os voos Porto-Lisboa e Sevilha-Lisboa e foram efectuadas três ligações a partir de Lisboa para destinos na Europa, anunciou esta manhã o porta-voz da TAP, António Monteiro.

Segundo António Monteiro, os passageiros afectados pela greve vão ser "protegidos por outros voos da TAP" ao mesmo tempo que adiantou que a adesão à greve dos pilotos da PGA "está um pouco abaixo da paralisação anterior".

Do lado dos pilotos os números da greve só serão revelados depois das 12 horas pelo Sindicato dos Pilotos da Aviação Civil que remeteu também para a mesma hora uma reacção às declarações do presidente da TAP.

Declarações de Fernando Pinto não são credíveis
Foi já ao início da tarde que os pilotos da Portugália reagiram às declarações do presidente da TAP, Fernando Pinto, e para declararem que estas não são credíveis.

Em comunicado o Sindicato dos Pilotos da Aviação Civil refere que "os pilotos não aceitam ser enganados de novo e não se deixam intimidar com ameaças não credíveis".

Para o Sindicato "os pilotos de linha aérea são profissionais ponderados que não podem, nunca, perder a paciência", já que a "a especificidade da sua profissão está relacionada, em grande medida, com o transporte em segurança de pessoas e bens".

Daí que o Sindicato tenha reafirmado as razões do protesto e acuse o presidente da TAP de "procurar cingir esta greve a uma questão salarial" quando sabe "perfeitamente que o que está em causa é o cumprimento das normas do Código do Trabalho que também são aplicáveis aos pilotos".

Para os pilotos a greve de dez dias pretende "deixar claro que as actuais condições em que exercem a sua profissão não são adequadas e podem pôr em causa a segurança da operação da companhia" pelo que não podem "ser corresponsáveis com um regime de utilização que é objectivamente inseguro e insustentável".

O Sindicato dos Pilotos reconhece que as suas propostas têm um impacto económico mas que estas "não têm impacto económico materialmente relevante" e que até estão "reflectidas no orçamento do Grupo TAP" pelo que "não afectam" a sustentabilidade da PGA.

A terminar o comunicado do Sindicato dos Pilotos refere que este e outros períodos de paralisação serão para cumprir até haver um compromisso formal entre as partes.

 

PUB