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Presidente reconhece que internacionalização para o Brasil foi "mau negócio"

Presidente reconhece que internacionalização para o Brasil foi "mau negócio"

Lisboa, 04 Jul (Lusa) - O presidente as Águas de Portugal (Adp), Pedro Serra, reconheceu hoje que a operação de internacionalização para o Brasil lançado pelo actual ministro e então presidente da empresa, Mário Lino, foi "um mau negócio."

© 2008 LUSA - Agência de Notícias de Portugal, S.A. /

"A nossa preocupação quando chegámos à administração da Águas de Portugal foi a de estancar a hemorragia e acabar com um mau negócio", disse o presidente da empresa hoje em conferência de imprensa, em Lisboa.

Segundo Pedro Serra, à semelhança de outras empresas portuguesas que apostaram no Brasil, a aquisição da ProLagos acabou por "não correr bem".

Contactado pela agência Lusa, o gabinete de Mário Lino, ministro das Obras Públicas, Transportes e Telecomunicações, não comentou as declarações de Pedro Serra.

Questionado pelos jornalistas sobre se considerava que a operação teria sido uma má aposta de Mário Lino, então presidente da AdP, Pedro Serra afirmou "não estar seguro disso nem do contrário", mas lembrou que o actual ministro das Obras Públicas deixou o grupo em 2002.

"Eu não estou seguro de que a estratégia [de Mário Lino] foi seguida pelos sucessores", acrescentou o mesmo responsável, adiantando que "a pedido do accionista" Estado, detentor único do grupo AdP, a empresa está a analisar "se deve ou não continuar com negócios internacionais".

Pedro Serra assumiu o cargo de presidente do grupo em Maio de 2005, sucedendo a Poças Martins que se tornou presidente do grupo em substituição de Mário Lino, que saiu do cargo em 2002.

A conferência de imprensa foi convocada após a divulgação hoje de um relatório do Tribunal de Contas, que considera que o grupo AdP se encontra numa situação económico-financeira "débil", com o tribunal a aconselhar uma reestruturação imediata do sector.

Segundo o relatório do Tribunal de Contas, a situação de fraqueza e os resultados negativos do grupo devem-se sobretudo ao "falhanço empresarial" da internacionalização do grupo para o Brasil e Cabo Verde.

"O grupo AdP foi utilizado como instrumento de política externa do Governo português...Esta decisão teve fortes impactos negativos para o grupo empresarial traduzidos num sistemático esforço de financiamento e num acumular de resultados económico-financeiros negativos", diz a auditoria do tribunal.

O presidente da AdP rejeitou, no entanto, que o grupo esteja numa má situação económico-financeira, sustentando que se assim fosse a empresa não teria conseguido financiamento da banca internacional.

"Ainda hoje vamos assinar um contrato para apoio financeiro no montante de 135 milhões de euros com o Banco Europeu de Investimento para financiar uma operação de investimento em infra-estruturas de segunda geração, ao nível dos tratamentos biológicos e de resíduos", sublinhou.

O responsável reconheceu contudo que "algumas empresas do grupo estão em situação fortemente deficitária" e admitiu que esta situação poderá resultar em alguns aumentos de tarifas.

Apesar de discordar com a visão do Tribunal de Contas, relativamente à situação da AsP, Pedro Serra disse no entanto que vai acatar todas as suas sugestões, admitindo que a auditoria identificou situações que a própria administração já corrigiu ou está a corrigir.

"Há empresas com uma situação fortemente deficitária, algo que tem que ser resolvido com os municípios, que também são accionistas" explicou o presidente, referindo que estes casos estão já a ser analisados e prendem-se com situações em que a realidade no terreno foi bastante diferente do previsto aquando da contratualização dos serviços da Águas de Portugal.

Questionado sobre a venda de duas das 65 empresas do grupo - Aquapor e Recigroup - cuja operação está "numa fase avançada", Pedro Reis disse estimar ter em Julho concluídas as alienações dos activos, para "fecho das operações" no fim do ano.

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