Primeiro-ministro admite que economia portuguesa enfrenta "realidade com duas faces"

Primeiro-ministro admite que economia portuguesa enfrenta "realidade com duas faces"

O primeiro-ministro admitiu hoje que a economia portuguesa vive hoje "numa realidade com duas faces", entre os bons resultados "com um reconhecimento internacional elevadíssimo" e o impacto do conflito no Médio Oriente na vida de pessoas e empresas.

Lusa / Adicionar como fonte informativa
Hugo Delgado - Lusa

Luís Montenegro cumpre hoje em Nova Iorque o segundo de três dias de uma visita oficial aos Estados Unidos para participar na 81.ª Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU), e começou a agenda com um encontro de cerca de meia hora com o secretário-geral da organização, o português António Guterres, que termina funções em dezembro.

Questionado se não existe uma contradição entre o otimismo que tem demonstrado nos EUA quanto à economia portuguesa e o "momento duro" que admitiu na declaração ao país na semana passada, Luís Montenegro admitiu que "há uma espécie de confrontação entre duas realidades que são as duas existentes, que são as duas vividas, mas que vão em sentidos opostos".

"Por um lado, Portugal é um país que está hoje com um reconhecimento internacional elevadíssimo. E não é por acaso", destacou.

Montenegro referiu-se, em concreto, à sua passagem pela Bolsa de Nova Iorque na terça-feira, durante a qual a presidente da instituição apontou a economia portuguesa como "um exemplo na União Europeia porque está a conciliar maior crescimento económico com equilíbrio orçamental, com diminuição dos impostos, com combate à burocracia".

"Nós temos tido simultaneamente uma valorização dos salários pelo seu montante e também pela diminuição da carga fiscal. Temos ajudado as empresas e temos ajudado a retenção do capital humano. E isso é muito positivo e tem de ser dito aos portugueses, porque gera confiança que não é retórica, é sustentada", disse.

No entanto, admitiu que existe um "outro plano, que também é real", causado pelo impacto da guerra entre Estados Unidos e Irão.

"Estamos a sofrer, na pele, todos nós, cada um dos cidadãos portugueses, cada família portuguesa, cada empresa portuguesa, cada instituição portuguesa e organização, um aumento que não tem razão de ser do custo dos combustíveis. E isso, naturalmente, que gera, ao contrário da primeira parte, não otimismo, mas apreensão", reconheceu.

O primeiro-ministro considerou que será preciso "lidar com as duas partes".

"Não é uma contradição, mas é, neste momento, uma realidade que tem duas faces, tem duas vertentes que são, de facto, diferentes", afirmou.

 

 

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