Primeiro-ministro inaugura Banco da União em Bissau

O primeiro-ministro guineense, Aristides Gomes, defendeu hoje que começou a derrota do "afro- pessimismo" com as várias iniciativas que estão a ser levadas a cabo pelos próprios africanos, nomeadamente a nível da união monetária.

Agência LUSA /

Aristides Gomes fez estas considerações na cerimónia de inauguração, em Bissau, do Banco da União (BDU), instituição financeira inteiramente constituída por capitais africanos.

Com um capital social de 2.000 milhões de Francos CFA (mais de três milhões de euros), o BDU tem como accionistas o Fundo de Pensões dos Agentes de Recrutamento do Banco Central dos Estados da Africa Ocidental (BCEAO), Banco de Desenvolvimento do Mali (BDM), Sociedade Oeste Africana de Gestão de Activos (SOAGA) e a Fundação para o Desenvolvimento (Fundei), instituição guineense para concessão de financiamentos que gerem actividades produtivas.

"A constituição do BDU com capitais exclusivamente de instituições africanas significa o início da derrota do afro- pessimismo. Queremos que a Guiné-Bissau faça parte desse processo", afirmou o primeiro-ministro guineense.

Para Aristides Gomes, a instalação do BDU na Guiné-Bissau, que já existe nos restantes sete países da União Económica e Monetária Oeste Africana (UEMOA), significa a confiança nas instituições guineenses, mas também na economia local.

"O BDU é a porta e saída da nossa economia no espaço da UEMOA", defendeu o primeiro-ministro guineense.

Uma fonte próxima da direcção do novo banco indicou à Agência Lusa que os clientes poderão obter no BDU serviços clássicos de uma instituição bancária, depósitos e transferências de valores, intercâmbios económicos entre operadores e créditos ao sector privado local.

Ainda de acordo com a mesma fonte, o BDU tem como "parceiros" para correspondências, em Portugal, a Caixa Geral dos Depósitos e o Millenium BCP, sendo Hugo Borges, antigo embaixador da Guiné-Bissau, em Lisboa, o presidente do conselho de administração.

Em funcionamento desde Janeiro, apenas em Bissau, a administração conta abrir em breve agências em Bafatá, Gabu (Leste) e Canchungo (Norte), e posteriormente oferecer serviços de movimentos bancários através de cartões de crédito, o que ainda não existe no país.

Entretanto, o ministro das Finanças guineense, Victor Mandinga considerou a instalação do BDU na Guiné-Bissau um sinal de "credibilidade" que as instituições financeiras começam a prestar às autoridades do país, desde o Presidente da República até ao Governo de Aristides Gomes.

Segundo Mandinga, dois outros bancos comerciais já entregaram ao Governo guineense a documentação necessária para a sua instalação no país.

A Lusa apurou que os bancos que pretendem abrir portas em Bissau são o CBEAO (Banco de países da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental, CEDEAO) e a ECOBANK.

Com o início das operações do BDU, a Guiné-Bissau passou a contar com três bancos comerciais, sendo os outros o Banco dos Estados da África Ocidental (BAO) detido maioritariamente pelo grupo português Montepio Geral, e o Banco Regional de Solidariedade (BRS).

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