Em direto
Os danos e a evolução do estado do tempo

Privados criticam terem ficado de fora do plano do Governo para formar mais docentes

Privados criticam terem ficado de fora do plano do Governo para formar mais docentes

Lisboa, 09 out 2025 (Lusa) - A Associação Portuguesa do Ensino Superior Privado (APESP) defendeu hoje a inclusão das instituições do setor social, particular e cooperativo nos programas do Ministério da Educação para formar mais professores.

Lusa /

Um dia após o Ministério da Educação ter celebrado protocolos com instituições de ensino superior para formar mais professores até 2030, comprometendo-se a pagar o custo integral de cada aluno, a APESP vem defender a inclusão do setor nesses contratos-programa.

O Ministério da Educação "deixou de fora as instituições não estatais -- um sinal de estatismo que contraria o espírito de cooperação que o país exige nesta matéria", acusa a APESP em comunicado enviado para as redações.

A associação considera que a exclusão "é injustificada e contrária ao interesse nacional", até porque o setor já forma milhares de docentes em todo o país.

O Governo disponibilizou 27,2 milhões de euros para celebrar contratos com universidades e politécnicos que queiram formar professores até 2029-2030, tendo celebrado na terça-feira os primeiros 11 contratos-programa, que não esgotaram toda a verba existente para novos acordos.

Durante a cerimónia pública, que decorreu no Teatro Thalia, em Lisboa, o ministro Fernando Alexandre disse que "só estão aqui instituições públicas, por agora", admitindo a hipótese de vir a celebrar contratos com estabelecimentos privados.

A APESP diz ter 14 instituições associadas que oferecem "14 licenciaturas, 31 mestrados e um doutoramento na área da Educação", estando por isso em condições de poder "acrescentar de imediato centenas de novos professores ao sistema".

O ministro da Educação celebrou os primeiros contratos com as Universidades do Algarve, Lisboa, Nova de Lisboa, Trás-os-Montes e Alto Douro, e com os Institutos Politécnicos de Leiria, Lisboa, Portalegre, Porto, Santarém e Setúbal para a formação inicial de professores.

Estas instituições deverão disponibilizar 9.677 vagas até ao ano letivo de 2029-2030: 4.349 em licenciaturas e 5.238 em mestrados.

Estes contratos-programa preveem uma majoração de 20% do financiamento por aluno diplomado em mestrados em áreas prioritárias, 20% em mestrados e 10% em licenciaturas em educação básica, segundo os dados hoje apresentados.

O ministério celebrou também um contrato-programa com a Universidade Aberta para que 300 professores com habilitação própria possam começar já este ano a fazer a sua profissionalização.

"O contrato de exclusividade celebrado apenas com a Universidade Aberta, para a profissionalização em serviço, evidencia uma visão parcial do sistema, desperdiçando recursos e perpetuando uma lógica de monopólio", critica a APESP, sublinhando que já mostrou disponibilidade total para colaborar com o Governo.

Sublinhando que a escassez de professores é um problema nacional, a APESP entende que "nada justifica excluir quem pode ajudar. É tempo de unir esforços, não de os dividir".

O ministro lembrou na terça-feira que "as instituições perdem dinheiro por cada professor que formam", mas os novos protocolos reforçam as verbas atribuídas por cada aluno, garantindo às universidades e politécnicos que "não vão ter défice nenhum pela formação de professores, quer na formação básica quer nos mestrados".

As medidas têm como objetivo aumentar a formação de professores, até porque será preciso contratar mais 39 mil docentes até 2035, segundo o "Estudo de diagnóstico de necessidades docentes" da Nova SBE, também apresentado no mesmo dia no Teatro Thalia.

 

SIM // ZO

Lusa/Fim

Tópicos
PUB