Produção industrial reduz 4,3 por cento em maio
Rio de Janeiro, 03 jul (Lusa) - A produção industrial brasileira registou uma queda de 4,3 por cento em maio, em comparação com o mesmo período de 2011, segundo dados hoje divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O valor hoje apresentado corresponde ao nono resultado negativo, neste tipo de comparação, e também o pior desde setembro de 2009, quando o índice reduziu 7,6 por cento face a setembro de 2008.
O setor industrial brasileiro passou a acumular perdas de 3,4 por cento nos cinco primeiros meses do ano, e uma redução de 1,8 por cento na taxa anual relativa ao acumulado dos últimos doze meses.
A indústria brasileira tem sofrido os efeitos da crise mundial e da valorização da moeda local, o real, que leva à perda de competitividade dos produtos locais face às mercadorias estrangeiras, que chegam mais baratas ao país.
Para enfrentar o problema, o governo tem tomado uma série de medidas de estímulo à produção, como facilidades no crédito com redução de juros e tarifas, além de ações de incentivo ao consumo.
As medidas, no entanto, ainda não surtiram o efeito esperado, com investidores e empresários preocupados com o cenário económico internacional fragilizado.
Na segunda-feira, os índices de produção industrial de Estados Unidos e China também desanimaram os mercados, com níveis de crescimento mais lentos do que o esperado.
No caso da China, o índice de produção industrial mostrou uma desaceleração do crescimento pelo oitavo mês consecutivo, a passar de 48,4 pontos em maio para 48,2 pontos, em junho.
Já o setor industrial norte-americano cresceu em junho no ritmo mais lento dos últimos 18 meses, segundo uma pesquisa do índice de produção industrial do Instituto Markit.
Tudo isso tem levado o mercado financeiro e o Banco Central brasileiro a rever as suas expectativas de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) para este ano.
Na semana passada, o Banco Central reduziu em um ponto percentual a sua previsão de crescimento para a economia em 2012, que passou de 3,5 por cento para 2,5 por cento.
A estimativa oficial do Governo no início do ano era de um crescimento entre 4,5 por cento e 5,5 por cento.