Produção mundial de azeite está a recuperar mas preço depende do mercado diz COI

Produção mundial de azeite está a recuperar mas preço depende do mercado diz COI

O diretor executivo do Conselho Oleícola Internacional disse à Lusa que a produção mundial de azeite está a recuperar, tal como o consumo, mas depende do tempo, e sublinhou que o preço é da responsabilidade dos intervenientes no mercado.

Lusa / Adicionar como fonte informativa
Alessandro Garofalo - Reuters

"As alterações climáticas estão a afetar a produção e, assim, temos assistido uma variação crescente de ano para ano. É difícil prever o que vai acontecer porque depende muito das condições meteorológicas", assinalou o diretor executivo do Conselho Oleícola Internacional (COI), Jaime Lillo, que falava à Lusa, em Lisboa, à margem do Congresso Mundial do Azeite, que decorre em Lisboa, até sexta-feira.

Conforme recordou, há dois anos, e pela primeira vez, houve uma descida na produção mundial de azeite, com repercussões no preço.

Desde aí, o mercado tem estado a recuperar a sua capacidade de produção.

Na campanha de 2024/2025, a produção mundial de azeite atingiu um recorde de 3,5 milhões de toneladas.

Contudo, Lillo defendeu que este é um número ainda "moderado", tendo em conta o potencial de crescimento deste mercado, uma vez que o azeite representa 2% dos óleos consumidos.

Por sua vez, o consumo está a crescer, sobretudo, em mercados como EUA, Brasil e China.

"Estamos numa fase de recuperação da nossa capacidade de produção. Consideramos que este vai ser um ano normal e estamos ansiosos por ver como vai ser a colheita e as condições meteorológicas para a próxima época", insistiu.

Questionado sobre se os preços para o consumidor vão aumentar este ano, o diretor executivo do COI sublinhou que o mercado do azeite é livre e que a decisão depende dos seus intervenientes.

Ainda assim, sublinhou que existe uma "forte procura internacional" e que o preço estará dependente da produção registada este ano.

O azeite virgem extra ficou mais caro 0,25 euros por litro para o consumidor português entre janeiro e abril, face ao aumento de 0,10 euros na fase de produção, segundo os últimos dados disponíveis no Observatório de Preços.

Em 26 de janeiro, um litro de azeite virgem extra, na fase de consumo, custava 6,52 euros, enquanto em 20 de abril já estava nos 6,77 euros.

No entanto, em comparação com o final de 2025, houve uma descida de 0,05 euros por litro, segundo dados consultados pela Lusa no Observatório de Preços.

Já na fase de produção, também nos primeiros quatro meses do ano, o preço do azeite encareceu 0,10 euros por litro, passando de 6,36 euros para 6,46 euros, quase em linha com o valor registado em 29 de dezembro de 2025 (6,47 euros).

Portugal recebe, entre hoje e sexta-feira, o `Olive Oil World Congress` (OOWC), o maior evento dedicado ao setor do azeite, que vai reunir investigadores, produtores e empresas de vários países.

O evento, organizado pela Agrifood Comunicación, tem lugar no Centro Cultural de Belém, em Lisboa, depois de uma primeira edição realizada em Madrid, em 2024.

O programa inclui o debate de temas como o futuro do setor, incluindo a adaptação às alterações climáticas, a digitalização e a aplicação da inteligência artificial.

Segundo dados avançados pelo Governo, para a campanha de 2025/2026 estima-se uma produção de cerca de 179.000 toneladas, um valor semelhante ao ano anterior.

Tópicos
PUB