Produtores de uísque escocês receiam independência da Escócia

A três meses e meio do referendo sobre a independência da Escócia, manifestam-se receios de industriais produtores da bebida nacional sobre as consequências que poderia ter essa eventual independência. A apreensão dos industriais não é tanto sobre a ruptura com o Reino Unido, mas principalmente sobre a ruptura com a União Europeia e com o mercado que ela representa.

RTP /
Eduardo Munoz, Reuters

O presidente do grupo Diaego (produtor de Johnnie Walker, J&B, Buchanan's, Talisker e Lagavulinand), declarou, assim, ao Wall Street Journal que considera "extremamente importante continuar [a Escócia] a ser membro da União Europeia". O presidente do grupo, Ivan Menezes, explicou com as peculiaridades do uísque a impossibilidade de deslocalizar a produção: "Ao contrário de outros ramos de actividade, nós não podemos simplesmente sair da Escócia".

Hoje começa na Escócia uma campanha eleitoral invulgarmente longa: 16 semanas, até ao dia 18 de Setembro, em que terá lugar o referendo. Além de produtores de uísque, há também banqueiros a fazerem lobby por uma votação contra a independência. No pólo oposto, o chefe do Governo escocês e líder do Partido Nacional Escocês, Alexander Salmond, promove o voto pela independência.

Os receios de industriais e banqueiros apontam para a eventualidade de a Escócia independente ser forçada a deixar a União Europeia. Mas as incertezas sobre o futuro do próprio Reino Unido na UE, depois da votação com forte componente eurocéptica de domingo passado, atenuam o dramatismo da escolha de Setembro sobre a independência escocesa.
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