Produtos regionais têm novo apoio à produção e comercialização

Produtos regionais têm novo apoio à produção e comercialização

Os agricultores de Alfândega da Fé ganharam uma nova estrutura de apoio à produção e comercialização com ajuda para colocar os produtos regionais seja nas grandes superfícies ou no curioso "mercado da saudade", disse hoje fonte autárquica.

© 2007 LUSA - Agência de Notícias de Portugal, S.A. / Adicionar como fonte informativa

Este é nome com que Luís Mónico baptizou o destino das muitas encomendas de fumeiro regional que despacha para os emigrantes transmontanos em França.

Esta unidade de fumeiro regional é uma das seis instaladas na recente Empresa de Desenvolvimento Municipal de Alfandega da Fé, a EDEAF.

O projecto é da Câmara Municipal que, com um novo conceito, pretende estimular a produção local e criar as condições para os agricultores colocarem no mercado os produtos de qualidade regionais.

Simultaneamente foi criado um rótulo comum com a marca "Terras de Alfândega", com a qual os produtos são colocados no mercado e que obedece ao um processo de certificação.

O projecto desenvolve-se num pavilhão na zona industrial da vila transmontana, onde os espaços são concessionados a empresas ou associações de produtores.

O espaço está actualmente ocupado por seis unidades, duas privadas dedicadas à produção de fumeiro.

As outras quatro são de natureza municipal ou associativa, nomeadamente uma queijaria, uma central de mel, uma doçaria e uma linha de embalamento e engarrafamento de azeite.

A EDEAF presta também serviços aos produtores, sobretudo de embalamento e engarrafamento, disponibilizando as obrigatórias garrafas para o azeite com tampa inviolável ou de dozes individuais.

A EDEAF tem ainda um laboratório de análises para serviços ao exterior e controlo dos produtos desenvolvidos localmente, nomeadamente na área da queijaria.

Dois jovens engenheiros, um da área alimentar e outro agrícola fazem o controlo técnico deste projecto que já deu emprego a dez mulheres.

Carla Reis fazia fumeiro e era paga ao dia, mas agora tem um contracto de trabalho e está simultaneamente no atendimento ao público.

No balcão tem uma pilha de caixas recheadas de fumeiro e "prontas para seguir para França".

"É o mercado da saudade, como lhe chama o patrão", contou à Lusa, referindo-se ao mercado dos emigrantes transmontanos em França, que matam também saudades da sua terra através dos produtos regionais.

Noutra unidade, a ALfadoce, Maria Adelaide conseguiu, aos 40 anos, o seu primeiro contrato de trabalho, depois de um curso de formação e de um estágio.

Trabalha há duas semanas na doçaria, onde com mais duas mulheres transforma cereja, morango, castanha, amêndoa e outros produtos em compotas, comercializadas sobretudo em lojas do vizinho concelho de Mirandela.

Na mesma unidade confeccionam também doces regionais, como os "barquinhos", que ganharam a forma e o nome dos barcos que atravessavam o rio Sabor, que banha o concelho.

Da mesma massa são feitos os rochedos, outros doces típicos, e a história de ambos é contada resumidamente nas caixas criadas especificamente para a sua venda.

Na queijaria são produzidos cerca de 150 queijos por dia, com Denominação de Origem Protegida (DOP) e que estão a ser cobiçados por um dos grupos nacionais de grandes superfícies, a SONAE, segundo os responsáveis técnicos da unidade José Almendra e Líbana Rosa.

O município disponibilizou também a vacinação gratuita dos rebanhos aos pastores para que o leite tenha a qualidade exigida neste processo.

Na central meleira foram vendidas nove toneladas em quatro meses de actividade e tem sido prestado apoio para o tratamento das colmeias aos apicultores, por forma a prevenir doenças que podem dizimar os enxames.

Mesmo os agricultores que não pretendam aderir à marca "Terras de Alfândega" podem beneficiar dos serviços da EDEAF, nomeadamente ao nível do embalamento e engarrafamento.

O investimento feito superou os 1,15 milhões de euros, segundo disse à Lusa o presidente da câmara, João Carlos Figueiredo.

O autarca tem projectado um segundo pavilhão para a expansão do projecto, mas disse que só avançará quando o primeiro "estiver sustentado".

"O conceito é interessante, mas muito difícil de concretizar", afirmou, explicando que "tem de ser feito um trabalho de sensibilização junto dos agricultores para mudar mentalidades".

A EDEAF está também a criar uma bolsa de produtores para dar resposta a eventuais solicitações do mercado.

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