Programas de ajustamento na zona euro "devem ser mais simétricos" recomenda economista-chefe OCDE

Lisboa, 24 set (Lusa) -- O secretário-geral adjunto da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), Pier Carlo Padoan, afirmou hoje que os programas de ajustamento na zona euro "devem ser mais simétricos".

Lusa /

"Os programas de ajustamento na área do euro devem ser mais simétricos. Vemos um ajustamento enorme nos países com elevados défices, mas vemos muito pouco ajustamento noutros países", afirmou Pier Carlo Padoan, numa conferência hoje em Lisboa, organizada pelo Banco de Portugal.

"Na área do euro vemos um grande ajustamento nos países do Sul, que são mais vulneráveis, em termos de reganho da competitividade, de equilíbrio orçamental e de introdução de reformas estruturais", afirmou o economista, considerando que "estes esforços estão a começar a compensar" nestes países.

No entanto, acrescentou, os países com excedente orçamental no Norte da Europa, como a Alemanha mas não só, "podiam fazer mais para contribuir para o reequilíbrio da zona euro".

"A Alemanha podia fazer mais esforços para liberalizar o setor dos serviços, o que ia contribuir para aumentar o investimento, aumentar o crescimento e ia contribuir para o equilíbrio na zona euro, porque a conta corrente [alemã] ia ficar menos excedentária", exemplificou.

Questionado sobre se Portugal ia precisar de mais ajuda ou se uma solução que implicasse uma reestruturação da dívida pública poderá ser equacionada no futuro, Carlo Padoan disse apenas que não ia comentar qualquer assunto relacionado com o programa da `troika` (Fundo Monetário Internacional, Banco Central Europeu e Comissão Europeia).

Falando sobre o conjunto da zona euro, o secretário-geral adjunto da OCDE disse que o espaço da moeda única "é um Ferrari que anda a dez quilómetros por hora", defendendo que só haverá crescimento e emprego se os bancos funcionarem bem e estiverem capazes de conceder crédito.

Para o economista, nos países do euro, "a união bancária ainda está longe de estar completa e muitos bancos continuam pouco capitalizados".

No entanto, considerou que "a fragmentação está a recuar" e que "o crescimento está a regressar", ainda que o ano de 2013 seja negativo.

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