Projectos têm de ser rentáveis para ter aposta da banca - Norberto Rosa

Lisboa, 21 Nov (Lusa) - Os projectos de microcrédito precisam de ser rentáveis para ter a aposta da banca, defendeu hoje, em declarações à agência Lusa, Norberto Rosa, administrador da Caixa Geral de Depósitos (CGD).

© 2007 LUSA - Agência de Notícias de Portugal, S.A. /

"Quando se dá um crédito a alguém que não tenha um negócio rentável estamos a dar uma esmola para depois a pessoa voltar e isso é continuar a exclusão social" disse Norberto Rosa, à margem de uma conferência na fundação Calouste Gulbenkian sobre "As instituições financeiras e o desenvolvimento do microcrédito".

O crédito destinado aos mais "excluídos da sociedade", serve para integrar estas pessoas, dando-lhes "a possibilidade de ter uma segunda oportunidade", disse Filipe Pinhal, presidente do Millenium BCP, referindo que para que haja uma verdadeira inclusão social destas pessoas "é necessário que os seus negócios sejam rentáveis e por isso tenham lucros".

Em declarações à Lusa Joaquim Góis, administrador do Banco Espírito Santo (BES), assinalou que "as iniciativas têm de ter uma resposta positiva do mercado para que possam criar valor para o empreendedor e para a instituição financeira".

Apesar de as operações de microcrédito ainda não estarem a registar um lucro significativo, o objectivo do BES é que isso aconteça no futuro, segundo Joaquim Góis.

Para Norberto Rosa, o objectivo da CGD em conceder este crédito é corresponder "a um aspecto de responsabilidade social e para que estes clientes do microcrédito depois possam pedir outros créditos ao banco".

Os representantes dos três bancos que concedem o microcrédito através da Associação de Nacional de Direito ao Crédito (ANDC) concordaram que a margem de cumprimento do pagamento da dívida é muito elevada, contrariamente ao "preconceito" de algumas entidades bancárias.

"O microcrédito é um projecto de política económica para termos uma sociedade mais viva, responsável e competitiva e deixarmos de excluir os mais pobres, dando-lhes uma oportunidade de ser promover a si mesmos", acrescentou Manuel Alves, presidente da ANDC.

SZD.

Lusa/Fim


PUB