Protesto de camiões bloqueia trânsito no Porto

Centenas de veículos pesados provocaram um enorme congestionamento na Via de Cintura Interna (VCI), no final da tarde de sexta-feira. Em protesto contra o preço do gasóleo, os camiões tentaram bloquear os acessos à cidade do Porto.

Raquel Ramalho Lopes, RTP /
Os últimos camiões entraram na VCI hora e meia após o início do protesto RTP

Os organizadores da manifestação, pequenas e médias empresas de transporte de mercadorias, exigem o acesso a gasóleo profissional, como acontece com o sector da Agricultura, entre outros benefícios fiscais para enfrentar a subida nos preços dos combustíveis.

A maior parte dos veículos pesados chegou pela A4 (Amarante/Porto), seguindo pela VCI até ao Estádio do Dragão, onde foram encaminhados pela polícia para a Alameda 25 de Abril, na zona da Campanhã.

Cerca das 18h40 começaram a chegar os primeiros camiões. A entrada na VCI pela A3 (Braga/Porto) também ficou congestionada.

Os camiões partiram depois para a VCI, em direcção à Ponte da Arrábida (sentido Norte/sul), saindo em Afurada, para entrarem novamente na VCI (sentido Sul/Norte). Cerca de 50 camiões chegaram à cidade do Porto provenientes do Sul, mas não causaram grandes problemas na circulação.

O número de veículos pesados provocou um grande congestionamento do tráfego entre os nós da A3 e de Bonjóia, na VCI. O protesto teve início poucos minutos antes das 20h00, com 30 minutos de atraso, explicados pela organização com o elevado número de participantes. A marcha lenta pela VCI foi sempre sublinhada por sonoros buzinões.

A PSP tentou minimizar o efeito da marcha lenta (cerca de 30 quilómetros por hora) no trânsito de fim de tarde ao ordenar interrupções no trânsito, intervalando entre a passagem dos veículos pesados em protesto com o resto do tráfego.

Por isso, a circulação no interior da cidade do Porto não apresentava, por volta das 20h30, qualquer congestionamento digno de registo. Os camiões continuavam o protesto às 21h30.

Os protestos contra a escalada dos combustíveis também se registaram em França, Inglaterra e Espanha, onde camionistas, taxistas e motociclistas bloquearam o trânsito.

Ministro considera que protestos não afectam paz nos Transportes

Os protestos e as greves são legítimos num Estado de Direito, interpreta o ministro das Obras Públicas e Transportes. “É uma forma que os trabalhadores portugueses usam quando querem reivindicar algumas matérias e quando não chegaram a acordo com as administrações. Faz parte do dia-a-dia da vida democrática”, disse Mário Lino.

“É natural que possam ocorrer greves de vez em quando. Eu não vejo que não haja paz”, acrescentou, numa tentativa de evidenciar a regularidade do sector dos Transportes.
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