PSD insatisfeito com explicações de Vítor Constâncio
Lisboa, 18 Jan (Lusa) - O deputado do PSD Patinha Antão afirmou-se hoje insatisfeito com as explicações do governador do Banco de Portugal (BdP) sobre a sua actuação quanto às alegadas operações ilícitas por parte do BCP com empresas "offshore".
Na reunião da comissão parlamentar de Economia e Finanças com Vítor Constâncio, Patinha Antão afirmou que o governador "está mais hoje mais vulnerável" do que antes de dar explicações aos deputados sobre a actuação na investigação a operações ilícitas e a alegada interferência da entidade reguladora no afastamento dos administradores cessantes.
"Vamos precisar de muito mais explicações", afirmou o deputado, sem dizer que outro tipo de explicações ou iniciativas pode vir a tomar.
Considerou, porém, que o governador agiu, no caso do BCP, "com irrazoabilidade", "com confortável lentidão" quanto a "evidentes indícios de situações de infracções graves" relativas a operações em "offshores".
Na resposta, Constâncio acusou Patinha de "confundir" duas situações - uma, em que o Banco de Portugal agiu, em 2003, e sobre as quais não encontrou ilícitos, e outra, no final de 2007, em que abriu um processo no qual acusa a administração do BCP de nada ter informado sobre 17 entidades em "offshores".
"Alguns administradores até vieram dizer que não conheciam este tipo de veículos", nem quem eram os beneficiários últimos, disse Constâncio, justificando que só depois de uma denúncia, em finais de 2007, foi aberto um inquérito pelo BdP.
A possibilidade de existirem responsáveis do BCP nesse processo, que depois ficassem impedidos de serem candidatos na assembleia geral do banco, a 15 de Janeiro, foi a justificação dada por Vítor Constâncio para a reunião, que pretendia "discreta", com accionistas do BCP.
Nessa reunião, em Dezembro, o BdP alertou para o facto da anterior administraçãp do BCP, liderada por Filipe Pinhal, poder vir a ser inibida, facto que levou ao aparecimento da lista liderada por Santos Ferfreira, que seria eleita na assembleia-geral de 15 de Janeiro
O governador disse que entendeu fazer esse encontro com accionistas porque "tinha alguma obrigação" de analisar a questão
"Se viéssemos depois a inibir algum candidato, haveria um novo período de instabilidade", justificou o governador.
Na resposta ao deputado do PSD, Vítor Constâncio insistiu que não era "possível pedir" mais ao órgão de supervisão bancária, tendo o Banco de Portugal feito "tudo o que podia fazer".