PT não deverá indicar executivos para controladas da holding Folha-UOL
O grupo Portugal Telecom (PT) não deverá indicar representantes para cargos executivos nas empresas controladas pela holding Folha-UOL, escreve hoje o jornal Valor Económico.
"No entanto, a PT participará do conselho de administração da Folha-UOL, cuja formação ainda está sob estudos e ainda não foi concluída", referiu a reportagem do jornal.
A Portugal Telecom passou a controlar 21,09 por cento do capital da holding Folha-UOL, resultado da recente fusão entre a empresa que detém o jornal Folha de São Paulo e a empresa que controla o portal de Internet UOL.
"A criação da holding, comentam fontes do mercado, é uma reorganização societária e não inclui um aporte adicional de recursos da Portugal Telecom", referiu o Valor Económico, salientando que o grupo português já detinha 28,6 por cento do UOL.
A participação da PT no UOL decorreu em 2001 quando da incorporação do maior provedor brasileiro de Internet do portal Zipnet, então controlado pelo grupo português.
Accionista tanto do UOL como da Empresa Folha da Manhã, que publica o jornal Folha de São Paulo, a família Frias manterá o controlo da holding Folha-UOL, com 78,81 por cento do capital.
"O acordo entre a família Frias e o grupo português ainda requer o acerto de detalhes jurídicos, mas está fechado, dizem observadores do sector", afirmou o Valo Económico.
Uma fonte oficial da Portugal Telecom afirmou terça-feira à Agência Lusa que a PT "sendo um accionista de referência do UOL com posição minoritária, está a analisar a proposta do sócio maioritário do UOL".
"A concretizar-se a operação, ela corresponderá a uma recomposição das participações accionistas da PT no Brasil, não constituindo, por isso, uma decisão estratégica de entrada no sector de media brasileiro", acrescentou a mesma fonte.
Com a fusão das duas empresas, cujo objectivo é a abertura futura do capital, a holding Folha-UOL torna- se o segundo conglomerado de media do Brasil, com uma facturação anual de 361,1 milhões de euros (1,3 mil milhões de reais).
A Portugal Telecom torna-se com a operação a primeira companhia estrangeira a ter presença accionista num grande jornal brasileiro, desde que a Constituição brasileira foi alterada, em 2002.
A alteração da Constituição brasileira permitiu que investidores estrangeiros pudessem ingressar, até ao limite máximo de 30 por cento, em empresas brasileiras de comunicação.
A reportagem do Valor Económico salientou igualmente que a PT já controla activos no sector de media em Portugal, nomeadamente os periódicos Jornal de Notícias, Diário de Notícias e 24 Horas.
"Os tentáculos do grupo estendem-se por quase todos os segmentos do sector de comunicação em Portugal", referiu o jornal Valor Económico.
"A PT actua em telefonia fixa e móvel, TV a cabo, Internet, revistas, jornais, rádios e cinemas, e tem posição dominante na maior parte deles", assinalou a reportagem.
A holding Folha-UOL continuará a partilhar o controlo do jornal Valor Económico com as Organizações Globo, maior grupo brasileiro do sector de media, além de manter o controlo da Gráfica Plural, a maior empresa brasileira de impressão, em parceria com a norte-americana Quad Graphics.
Fundada em 1921, o jornal Folha de São Paulo é o diário de maior circulação e um dos mais influentes do Brasil.
A holding Folha-UOL passa a controlar igualmente o jornal Agora São Paulo, o Folha Online (segundo noticiário mais visitado na Internet brasileira), o instituto de pesquisas Datafolha, a Agência Folha e o Publifolha (editora de livros e vídeos).
Com mais de 1,3 milhões de utilizadores e sete milhões de visitantes únicos por mês, o UOL, criado em 1996, é o maior portal de Internet da América Latina.
O grupo PT controla no Brasil, através de uma joint- venture com a Telefónica Móviles, a operadora Vivo, a maior operadora móvel brasileira, com mais de 26 milhões de utilizadores.
O grupo português controla igualmente no Brasil as empresas Mobitel, Dedic, PrimeSys, Portugal Telecom Inovação e PT Multimedia.com.
Recentemente o grupo português foi considerado o 51º maior grupo aactuar no Brasil pelo anuário "200 Maiores Grupos", do jornal Valor Económico, com uma receita bruta consolidada de 4,89 mil milhões de reais (1,34 mil milhões de euros, ao câmbio actual) em 2003.