Qimonda de Vila do Conde vai continuar parada

A unidade da multinacional alemã Qimonda em Vila do Conde vai permanecer parada durante as próximas semanas, adiantou esta quinta-feira a comissão instaladora dos trabalhadores da fábrica. A administração da empresa havia anunciado que a produção seria reactivada na próxima terça-feira, mas a unidade portuguesa está privada de matéria-prima.

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A direcção da fábrica reúne-se com os trabalhadores na próxima terça-feira para comunicar "planos e estratégias" RTP

"Não há matéria-prima para a unidade portuguesa. Mesmo que a laboração na Alemanha fosse retomada hoje, só daqui a uns dois meses é que chegaria material a Portugal", alertou Bruno Maia, da comissão instaladora dos trabalhadores da Qimonda, em declarações à agência Lusa.

Os representantes dos trabalhadores da fábrica de Vila do Conde estiveram esta quinta-feira reunidos com três gestores da Qimonda Portugal. O encontro, afirmou Bruno Maia, "correu bem": "Percebemos que têm sido feitos esforços no sentido de manter não só a unidade, mas também os postos de trabalho".

Durante a manhã, os trabalhadores da Qimonda foram recebidos no Porto pelo delegado regional do Norte do Instituto do Emprego e Formação Profissional (IEFP). Segundo Bruno Maia, o responsável do IEFP mostrou-se "receptivo a apoiar no que for preciso" o corpo de 1.300 profissionais da fábrica portuguesa da multinacional. Caso os trabalhadores sejam confrontados com um despedimento colectivo, o organismo estatal tem preparado um conjunto de mecanismos de apoio, desde a formação profissional até aos incentivos para a abertura de pequenas e médias empresas.

Por sua vez, o ministro da Economia insiste na ideia de que o Governo continua "totalmente empenhado" na procura de um "investidor credível e com capacidade tecnológica" para evitar o colapso da fábrica de Vila do Conde. Numa recuperação do léxico do primeiro-ministro, Manuel Pinho afirmou que "nem por sombras" o Executivo admite "deitar a toalha ao chão".

Proposta "sem fundamento técnico"

Em Amareleja, onde acompanhou José Sócrates na visita a um complexo fotovoltaico, o ministro da Economia foi questionado sobre as reais possibilidades de evitar a supressão dos postos de trabalho da Qimonda em Portugal. "Impossível", respondeu Pinho, "não é uma palavra aceitável".

A expensas dos exercícios de optimismo do titular da pasta da Economia, a situação da fábrica de Vila do Conde continua a agravar-se sem sinais de uma solução sustentável. A última proposta conhecida para a aquisição da unidade, apresentada ao Governo pelo empresário João Paulo Tomás, mereceu uma rejeição em toda a linha por parte da Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP). A proposta "não tinha qualquer fundamento técnico", nas palavras de uma fonte oficial daquela estrutura ouvida pela agência Lusa.

João Paulo Tomás propunha-se angariar 140 milhões de euros a partir de um consórcio de capitais portugueses e alemães, que não chegou a ser identificado. O plano teria por base participações de "quatro empresas alemãs" e visaria uma reconversão da unidade para a produção de sistemas fotovoltaicos. Sem "qualquer garantia associada", a proposta do empresário foi chumbada pela AICEP, que não deixou de criticar João Paulo Tomás por "criar falsas expectativas".

O empresário comprometeu-se, entretanto, a reformular a proposta, mas dificilmente poderá já conquistar a comissão instaladora dos trabalhadores, que, na quarta-feira, expressava a sua "desilusão" perante "ideias vagas".

Remoção de 150 milhões de euros "será analisada"

A semana ficou também marcada pela notícia de que a casa mãe da Qimonda retirou 150 milhões de euros da fábrica de Vila do Conde. Confrontado com as informações avançadas pelo Jornal de Negócios, o porta-voz do gestor judicial da multinacional alemã limitou-se a afirmar que "todos os fluxos monetários serão analisados" no quadro do processo de insolvência.

"Em Portugal deverá acontecer o mesmo, através do gestor judicial que foi nomeado, e haverá com certeza troca de informações entre os dois países", declarou Sebastian Brunner, porta-voz do gestor judicial Michael Jaffé.

Brunner indicou também que os "resultados das negociações com potenciais investidores continuam em aberto". Em declarações à Lusa, o porta-voz colocou, contudo, a tónica na necessidade de "não criar expectativas demasiado altas".

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