"Quem não arrisca não petisca". Apresentado o Amália, modelo de IA totalmente em português

"Quem não arrisca não petisca". Apresentado o Amália, modelo de IA totalmente em português

Um ano e meio depois de ter sido anunciado, foi esta tarde apresentado o novo modelo de Inteligência Artificial totalmente em português. Chama-se Amália.

RTP / Adicionar como fonte informativa
Foto: José Sena Goulão - Lusa

A cerimónia de apresentação decorreu em Lisboa com a presença do primeiro-ministro e também do ministro Adjunto e da Reforma do Estado e do ministro da Educação.

O Amália ainda está em testes e vai ser disponibilizado a várias entidades da Administração Pública, mas até ao fim do ano deverá estar ao alcance de todos.

Montenegro diz que mais vale tentar e falhar do que adiar

Na apresentação do amália, o primeiro-ministro elogiou a cultura do risco, defendendo que mais vale tentar e falhar do que adiar soluções, porque "quem não arrisca não petisca".

Luís Montenegro aproveitou ainda a ocasião para elogiar o papel transversal do ministro Adjunto Gonçalo Matias no Governo, assegurando que, no executivo, estão "todos a remar para o mesmo lado".

Perante uma plateia composta sobretudo por investigadores envolvidos no desenvolvimento do Amália, Montenegro deixou uma mensagem que pode ser entendida como de caráter mais geral: "Temos a obrigação de não perder mais tempo. Discutir menos e fazer mais. Discutir o suficiente, mas fazer. Foi isso que nós fizemos aqui. Não nos quisemos perder em discussões que são legítimas, mas que iriam basicamente atrasar tudo".

O primeiro-ministro defendeu que a cultura do risco "deve ser entendida dentro de um sentido de responsabilidade, mas também de ambição, de esperança, de confiança".

"É mesmo caso para dizer que quem não arrisca não petisca. Quem fica a aguardar grandes reflexões e grandes consensualizações fica para trás", avisou.

Montenegro defendeu que "é mais importante tentar do que adiar, é preciso tentar e eventualmente falhar", justificando a razão pela qual, em novembro de 2024, aceitou o desafio de ter, num ano e meio, um modelo português de IA.

O primeiro-ministro admitiu que Portugal não poderá competir, nesta matéria, com outros países que já começaram a investir há mais tempo, mas salientou a importância da autonomia estratégica da Europa em matéria de IA.

"Eu sei que é um pequeno passo, mas são pequenos passos que estão a ser dados na Alemanha, na Suíça, na Polónia, nos Países Baixos, em Espanha", disse, desejando que um modelo europeu possa, no futuro, competir com os líderes neste domínio, Estados Unidos e da China.
Amália não nasceu para ficar no laboratório
Manuel Dias, o CTO (diretor de sistemas de informação) do Estado e presidente da ARTE, sublinha também ele que o Amália não nasceu para ficar no laboratório.

O Amália "foi o primeiro modelo de grande escala focado em português europeu", salientou.

"Criado em Portugal" e "com talento nacional", o Amália tem quatro pilares estratégicos: "a promoção da língua, da cultura, da história portuguesa como mais nenhum modelo faz, a promoção da investigação e da inovação em inteligência artificial [IA] em Portugal, numa era em que a inteligência artificial faz parte das nossas vidas", prosseguiu.

Este é "também o tema da soberania digital", (...) é muito relevante não só termos o controlo sobre os nossos dados, mas ter o controlo sobre os modelos que processam os nossos dados", referiu Manuel Dias.
Como funciona o Amália
Primeiro, "é um modelo treinado com foco em português europeu. Isso é muito, muito importante para português europeu, teve como base o EuroLLM e, portanto, até entende outras línguas na Europa, mas está focado e otimizado para português europeu", explicou.

Depois, é "um modelo com 9 mil milhões de parâmetros, é um modelo multimodal e este é um ponto muito importante", destacou.

O Amália "nasceu como um modelo que consegue analisar, perceber e gerar texto, mas na versão atual consegue analisar imagem, consegue entender falar e, portanto, imaginem a quantidade de cenários que nós podemos criar".

Este é um modelo que "tem um filtro de segurança e essa parte é muito importante quando falamos da criação de aplicações de inteligência artificial", salientou.

Portanto, "já tem essa parte também no treino e obviamente é um modelo que resulta de quase dois anos de trabalho de muitos investigadores, mais de 60 investigadores, cinco universidades portuguesas", ou seja, "muito talento nacional feito no desenvolvimento do Amália".

Mas "o Amália não nasceu para ficar no laboratório", salientou. O modelo de IA está "preparado para ser usado por todo o ecossistema nacional, não só pela academia, pelas universidades, pelos serviços públicos, pelas múltiplas entidades da Administração Pública e, sobretudo, também pelos cidadãos".

Trata-se de um modelo totalmente em código aberto, "o que significa que qualquer empresa, qualquer startup, pode pegar no modelo, adaptá-lo, customizá-lo para determinado domínio".

Nesse sentido, "isso é mais um diferenciador na forma como foi feito o desenvolvimento do Amália", rematou.

c/ Lusa
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