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Quercus apela à participação massiva na consulta pública da central Sophia

Quercus apela à participação massiva na consulta pública da central Sophia

A associação ambientalista Quercus apelou hoje à participação massiva da população na consulta pública do projeto reformulado da central fotovoltaica Sophia e acusou o promotor daquela infraestrutura, localizada no distrito de Castelo Branco, de manipulação da opinião pública.

Lusa / Adicionar como fonte informativa

Em nota enviada à agência Lusa, o núcleo de Castelo Branco da Quercus alegou que o projeto reformulado (com redução de 34% da potência e 35% da área ocupada por painéis solares) previsto para os concelhos do Fundão, Penamacor e Idanha-a-Nova "não é o que parece" e acusou os promotores de, no futuro, pretenderem uma ampliação da potência, recuperando o projeto anterior agora reformulado.

"É que o Decreto-Lei 130/2026, de 29 de junho, permite um futuro aumento de 50% da potência detida sem necessidade de Avaliação de Impacto Ambiental (AIA). E o aumento de potência implica ampliar a área de painéis", vincou a Quercus, notando que a área do estudo aumentou mais de 400 hectares.

A associação ambientalista frisou ainda que o diálogo "supostamente pretendido" pela multinacional Lightsource BP "não ocorreu e nunca poderá ocorrer", e apelou à participação massiva da população na consulta pública da central fotovoltaica e respetivas linhas elétricas de muito alta tensão que termina na quarta-feira.

"Para haver diálogo é preciso que os interlocutores estejam de boa-fé e a LBP [Lightsource BP] apenas visa a manipulação da opinião pública, como ficou bem patente [nas sessões de informação à população]", acusou a Quercus.

"Mesmo que as reduções anunciadas se concretizassem, a escala do projeto arrasa com os bens naturais, agrícolas, culturais e socioeconómicos locais. A multinacional confrontou-se com cidadãos bem informados, cientes do que lhes pode ser tirado e determinados a defender a sua identidade enraizada no território -- não se abandona o que se ama", enfatizaram os ambientalistas.

Por outro lado, a Quercus apontou o aumento no investimento de armazenamento de energia -- "os 60 contentores de baterias, da versão anterior, passaram a 288", precisou -- argumentando com uma alegada mudança na estratégia de venda de energia, "muito adequada às necessidades dos centros de dados".

"Sendo aprovada, esta central será um chamariz para estas unidades devoradoras de água e de energia que estão a ser vivamente contestadas pelas populações afetadas. Para além de muitos outros aspetos inaceitáveis, o consumo de água é uma peça-chave num território com este recurso a escassear".

Os ambientalistas argumentaram ainda que, enquanto no projeto anterior constava a quantificação do consumo de água para as fases de construção e de exploração, "neste está omissa", e observaram que a empresa multinacional foi questionada sobre esse dado "em todas as sessões [informativas], mas nunca respondeu".

Já em relação à biodiversidade, a Quercus argumentou que a combinação entre perda permanente de habitat e pressão cumulativa significativa sobre a fauna "constitui um fundamento substantivo para a não aprovação" do projeto da central Sophia.

"A reformulação reduz algumas afetações, mas mantém perdas e pressões que o próprio relatório reconhece como relevantes e não minimizáveis", avisou.

Também hoje, a Plataforma de Defesa do Parque Natural do Tejo Internacional solicitou à Agência Portuguesa do Ambiente (APA) uma "prorrogação urgente do prazo da consulta pública", alegando que esta decorreu "durante apenas dez dias úteis".

Para além da "exiguidade do prazo, tendo em conta a extensão e a complexidade da documentação disponibilizada", a plataforma justificou o pedido devido a alegadas dificuldades técnicas de acesso à informação.

"Estas dificuldades técnicas e práticas não podem constituir um obstáculo à participação dos cidadãos num procedimento de consulta pública. A participação pública não pode depender de links que funcionam ou deixar de funcionar, nem transformar-se numa corrida contra o tempo", argumentou.

 

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