Receitas angolanas podem subir 2.900 milhões de euros com aumento do preço do barril de petróleo
O Governo angolano anunciou hoje que as receitas devem crescer 3,2 biliões de kwanzas com o aumento do preço do barril de petróleo, mas parte do montante será consumido com o subsídio aos combustíveis.
A previsão deste montante (2,9 mil milhões de euros) foi hoje anunciada pelo ministro de Estado para a Coordenação Económica de Angola, José de Lima Massano, no final da I reunião extraordinária da Comissão Económica do Conselho de Ministros, que abordou, entre outros assuntos, o impacto do conflito no Médio Oriente na economia angolana.
Segundo José de Lima Massano, a leitura feita é que o conflito poderá ser mais longo do que se antecipava inicialmente, situação que coloca desafios a todos os países, incluindo Angola.
"Temos uma economia aberta, que se relaciona com o mundo, exportando e importando bens e serviços e, por isso, teremos também efeitos diretos do que acontece com o Médio Oriente", disse José de Lima Massano à imprensa, no final da reunião.
O governante angolano destacou que há impacto direto para Angola, por ser um país produtor de petróleo, mas também importador de refinados.
José de Lima Massano disse que o Executivo está a prever que, com uma referência de preço médio do barril de petróleo até final do ano de cerca de 80 dólares, acima dos 61 dólares estabelecido no Orçamento Geral de Estado em vigor, esta alteração provoca um crescimento da receita em cerca de 3,2 biliões de kwanzas.
"É o que antecipamos com este aumento do preço do barril do petróleo", disse, acrescentando que, contudo, não haverá despesa adicional.
"Nós vamos continuar contidos ao limite estabelecido no OGE para 2026, a alteração que temos aqui, do ponto de vista do endividamento, é de termos uma menor necessidade. Nós trazíamos nesse orçamento de 2026 uma ida aos mercados, quer domésticos como externos, para mobilizarmos cerca de 15 biliões de kwanzas (14 mil milhões de euros), com este desenvolvimento poderemos ter uma necessidade mais baixa", disse.
O montante previsto deverá ajudar na redução do défice orçamental, saindo dos 2,8% para pouco mais de 1%, "melhorando por isso as contas fiscais", disse o ministro.
"Temos ainda uma fatura elevada com a importação de refinados e são subsidiados, parte dos 3,2 biliões de kwanzas serão consumidos com subsídios, o que acabará por limitar parte da nossa ação e dos ganhos resultantes deste inesperado aumento do preço do barril de petróleo", frisou.