Recessão de 2012 é a mais grave desde os anos 70

Recessão de 2012 é a mais grave desde os anos 70

O anúncio do ministro das Finanças coloca Portugal perante o pior cenário de recessão em três décadas, com a economia nacional (PIB) a cair 2,8 por cento em 2012, muito acima das estimativas do Banco de Portugal e do próprio Executivo, que apontava em agosto passado para uma contração de 1,8 por cento. As previsões da coligação PSD-CDS vão ainda no sentido de um agravamento nos números do desemprego, que deverá no próximo ano atingir a taxa de 13,4 por cento, igualmente acima das estimativas iniciais.

RTP /
O ministro das Finanças, acompanhado pelo ministro Adjunto, Miguel Relvas, durante o ato de entrega do OE à presidente da Assembleia da República, Assunção Esteves Manuel de Almeida, Lusa

Vítor Gaspar sublinhou que à recessão de 2012 deve somar-se este ano uma recessão de 1,9 por cento, o que representa uma “queda acumulada é de quase 5 por cento”. No entanto, o chefe do Ministério das Finanças acredita que “2012 aparecerá como a antecâmara da recuperação económica”.

As palavras abriram a conferência de imprensa em que Vítor Gaspar fez a apresentação do Orçamento do Estado, mas a previsão é a mais pessimista já apresentada para os próximos anos em Portugal: a proposta de Orçamento que chegou esta tarde à Assembleia da República contempla uma recessão de 2,8 por cento em 2012, com o desemprego a atingir os 13,4 por cento. Os números representam um agravamento face às previsões que o Governo fazia constar no final de agosto no Documento de Estratégia Orçamental (DEO).Para 2011 o Governo espera uma recessão menos grave do que previa em agosto: o OE2012 aponta para uma contração do PIB de 1,9 por cento este ano, contra os 2,2 por cento avançados no DEO

No boletim económico de outono, o Banco de Portugal previa uma quebra de 1,9 por cento do PIB em 2011 e de 2,2 por centro em 2012. Bruxelas e Fundo Monetário Internacional vêm apontando para uma redução do PIB de 2,2 por cento em 2011 e de 1,8 por cento em 2012


Nesse documento de 31 de agosto, o Executivo de Passos Coelho estimava uma contração do Produto Interno Bruto (PIB) de 1,8 por cento e uma taxa de desemprego de 13,2 por cento. Para este ano, o OE 2012 prevê um desemprego de 12,5 por cento, coincidente com os números do DEO, mas piores do que as projeções da Comissão Europeia (12,3% em 2011 e 13% em 2012) e do FMI (12,1% em 2011 e – igualmente pessimista - 13,4% em 2012).

Uma das metas do Governo de coligação PSD-CDS continua entretanto a ser o cumprimento dos números do défice público impostos pelos 27, pelo que, para o próximo ano, o Orçamento do Estado 2012 reitera a prescrição do acordo com a troika: o memorando de entendimento exige um défice não superior a 5,9 por cento este ano e 4,5 por cento em 2012. O Executivo espera uma dívida pública de 100,3 por cento do PIB em 2011 e de 105,8 por cento em 2012

O DEO apontava uma dívida pública de 100,8 por cento este ano e de 106,1 por cento no próximo


Inflação acima dos 3 por cento
A somar à queda de 2,8 por cento do PIB, é ainda esperada uma retração do investimento na ordem dos 9,5 por cento.

A inflação - 3,5 por cento este ano, nas primeiras estimativas - é agora projetada para os 3,1 por cento, o que, a confirmar-se, a coloca acima de 3 por cento pelo segundo ano consecutivo.

No pacote de 2012 está ainda incluída uma queda de 4,8 por cento no consumo privado; este ano cai 3,5 por cento. No que respeita ao consumo público, espera-se que caia 6,2 por cento no próximo ano, e 5,2 por cento este ano.

Num departamento que é considerado um dos principais motores da economia, as exportações terão crescimento mais moderado em 2012 (4,8%) do que em 2011 (6,7%).

Entrevista ao Jornal de Negócios
Numa entrevista que deverá chegar amanhã no formato papel no Jornal de Negócios, o ministro das Finanças deixa as suas queixas por uma situação orçamental mais grave do que era esperado pela sua equipa para o ano corrente, cenário a que Vítor Gaspar deita a mão para escorar a opção por medidas adicionais em 2012 e 2013. Vítor Gaspar:

No Programa de Ajustamento Económico e Financeiro “estavam previstas medidas de consolidação orçamental em 2012 que valiam 3,6 pontos percentuais do PIB”

Com o DEO, “esse valor já estava revisto para 4,6” e agora “o esforço orçamental que está previsto para o Orçamento do Estado do próximo ano é da ordem dos seis pontos percentuais do PIB”



“A situação orçamental em 2011, o ponto de partida para o Orçamento do Estado de 2012, é significativamente pior do que se pensava até recentemente (…) O desvio orçamental no primeiro semestre relativamente aos limites do programa é muito considerável”, na ordem dos dois pontos percentuais do PIB e não de 1,5 como estava previsto no DEO, afirma o governante, de acordo com declarações já disponibilizadas pela edição online do Negócios.

Trata-se de um desvio que o Governo procura compensar com receitas extraordinárias que assegurem um “défice público em 5,9% do PIB”. Medidas adicionais - sublinha o ministro das Finanças - que necessariamente serão substituídas “por medidas de caráter permanente”.
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