Rede de cacifos Locky tem tecnologia portuguesa e é infraestrutura "crítica" no futuro, afirma presidente CTT
O presidente executivo dos CTT, João Bento, afirmou hoje à Lusa que a rede de cacifos Locky tem "tecnologia portuguesa", é produzida em Portugal e que é uma "infraestrutura que será crítica no futuro".
Os CTT lançaram hoje a nova marca de cacifos aberta a qualquer operador de distribuição, a Locky, a qual visa gerir o negócio de cacifos a nível ibérico e conta com um investimento de oito milhões de euros.
O lançamento da marca Locky para a rede de cacifos "significa a terceira leva de investimento que fazemos nesta frente específica", começou por dizer João Bento, que falava à Lusa à margem do evento, que decorreu em Lisboa
"Desde muito cedo percebemos que ia ser decisivo dispor de uma infraestrutura de cacifos para poder acompanhar as necessidades do país e as nossas próprias necessidades a propósito do crescimento do comércio eletrónico", prosseguiu, referindo que os cacifos estão disponíveis 24 horas por dia, sete dias por semana.
"Com isto conseguimos pôr as encomendas à espera do cliente", sublinhou o gestor, salientado que o primeiro passo "foi tomar a decisão" de era necessário desenvolver uma rede de cacifos.
Já a segunda decisão foi, "dado o caráter crítico que antecipávamos vir a ter, como hoje se confirma, achámos que devíamos fazê-lo com tecnologia própria e a nossa rede de `lockers` é feita - e não começou assim - com cacifos nossos, tecnologia portuguesa, eletrónica portuguesa, metalomecânica portuguesa, `software português, com a rede de parceiros permanentes e fabricados em Portugal", sublinhou o presidente executivo dos CTT.
"Isso não é só porque é bonito, é porque nos dá uma agilidade de desenvolvimento de produtos de relacionamento com os clientes, de campanhas que não teríamos de outra maneira, portanto, achámos que deveríamos ter uma infraestrutura que será crítica no futuro", sublinhou.
Na área da metalomecânica (`hardware`), a empresa é a Cubotonic, na assemblagem e instalação a Tecnocrimp, e no `software` e eletrónica a Micro.io e Polarising, disse à Lusa o presidente executivo da Locky, Francisco Travassos.
E o terceiro momento "é o lançamento da marca que não é só para fazer explodir e dar sucesso à infraestrutura, é porque estamos também a lançar uma marca de uma infraestrutura que vamos abrir (...) aos nossos concorrentes", salientou João Bento.
Esta rede vai estar aberta "a todos aqueles que querem entregar [encomendas] usando esta funcionalidade porque achamos que isso faz parte do nosso dever e da nossa estratégia, enquanto os grandes promotores do comércio eletrónico em Portugal, os grandes formatadores das tendências, aquilo que é normal num líder de mercado", prosseguiu.
"Portanto, hoje é a nossa terceira leva de progresso nesta frente numa altura em que já temos 250 `lockers` e que tudo indica que chegará perto dos 1.000 até ao final deste ano em Portugal", rematou João Bento.
Francisco Travassos acrescentou que ter estes quatro "parceiros nacionais" tem vantagens como uma "relação muito próxima.
Ou seja, "são parceiros que nos apoiam sempre que nós queremos desenvolver soluções à medida, estão connosco, pensam no projeto desde o início e, depois, temos uma agilidade muito grande em comparação com outros fornecedores que, se fossem internacionais, não eram tão próximos e não teríamos soluções tão rápidas como temos hoje", acrescentou Travassos.
Além da expetativa de atingir os 1.000 cacifos em Portugal até final de 2022, o presidente executivo da Locky espera "continuar certamente a instalar cacifos" no próximo ano.
Em 06 de dezembro passado, os CTT tinham anunciado uma parceria com a YunExpress, a unidade de negócios de logística da chinesa Zongteg Group, para a criação de uma `joint-venture` que visa gerir o negócio de uma rede de cacifos para receber encomendas em Portugal e Espanha, aberta a qualquer operador, num investimento conjunto de oito milhões de euros no prazo de três anos.
"Temos aqui uma parceria com a Yun", recordou João Bento, salientando que a intervenção é em Portugal e Espanha, com prioridade no mercado português.
Questionado sobre a possibilidade da rede Locky ir para outros mercados além de Portugal e Espanha, o gestor disse que em Moçambique "o mercado ainda não tem maturidade suficiente".
"Achamos que para o `e-commerce` [comércio eletrónico] crescer em Portugal é preciso trazer mais confiança e mais comodidade e ter uma rede de `lockers` que traz essa comodidade que a pessoa não precisa estar em casa para receber a encomenda, pode receber onde quer que esteja (...), fazia todo o sentido, é uma prática que existe já noutros países", onde o comércio eletrónico "está mais desenvolvido", disse, por sua vez, o administrador dos CTT João Sousa.
"Estamos a fazer uma soma de vários fatores para ajudar o `e-commerce` a crescer", quer seja do lado do vendedor, quer dos compradores, salientou.
Portanto, " este era um passo essencial para ajudar a fazer crescer" o negócio do comércio eletrónico, sublinhou o administrador, que adiantou que as "expetativas são muito elevadas".
João Sousa disse que os CTT estão contentes "com os primeiros resultados" da utilização da rede de cacifos.
"Acreditamos agora, com a marca própria, e com uma comunicação e uma dinamização, que vai haver uma explosão de utilização destes mesmos `lockers` que também uma vertente de sustentabilidade bastante forte", reforçou João Sousa.