Região do Golfo da Guiné importante para "segurança energética" ocidental

O ministro da Defesa guineense, Marciano da Silva Barbeiro, defendeu hoje que a região do Golfo da Guiné é muito importante para a "segurança energética" ocidental, permitindo diversificar a importação de hidrocarbonetos da Rússia e do Médio Oriente.

Lusa /

"A região produz cerca de 70% do petróleo e gás natural de toda a África e representa uma grande importância para a segurança energética ocidental, pois a sua proximidade aos dois principais consumidores mundiais de energia, a América do Norte e a Europa Ocidental, reduz os custos de transporte, permitindo-lhes assim uma estratégica de diversificação das importações de hidrocarbonetos do Médio Oriente e da Rússia", afirmou o ministro.

Marciano Silva Barbeiro falava na sessão de abertura da conferência sobre "Segurança Marítima no Golfo da Guiné e as suas implicações para a segurança da Guiné-Bissau", organizada com pelo Instituto de Defesa Nacional, com o apoio da União Europeia.

O Golfo da Guiné estende-se de Cabo Verde a Angola e, segundo dados hoje divulgados, é uma das mais movimentadas rotas marítimas do mundo, com mais de 6.000 quilómetros de litoral.

"A Zona Económica Exclusiva da região abrange cerca de 3,3 milhões de quilómetros quadrados e, apesar do imenso potencial, a região não dispõe de meios", o que provocou um aumento da criminalidade, disse o ministro da Defesa.

Segundo Marciano da Silva Barbeiro, a "criminalidade organizada deslocou-se do Índico para o Atlântico, tornando-se assim o Golfo da Guiné num importante centro de crime marítimo e de crescente insegurança" não só para as suas zonas costeiras, mas também para a comunidade internacional.

"A pirataria, roubo de mercadorias/petróleo, assalto à mão armada a navios por resgate, pesca ilícita desregulamentada e não declarada, poluição marítima, tráfico de seres humanos, tráfico de droga e branqueamento de capitais, contrabando de armas e terrorismo tornaram-se ex-líbris da região", salientou o ministro da Defesa guineense.

O embaixador da União Europeia na Guiné-Bissau, Artis Bertulis, destacou que a segurança no Golfo da Guiné é "absolutamente estratégica para a União Europeia e os seus Estados-membros", lembrando que em 2014 a organização enquadrou o seu apoio aos esforços da região com a criação da Arquitetura de Segurança Marítima de Yaoundé, sistema de troca de informações, que criou quatro centros marítimos de coordenação.

Artis Bertulis recordou também que em 2022 a União Europeia atualizou a sua visão estratégica de "forma a incluir a diversidade de riscos e ameaças à segurança das águas do Golfo da Guiné, com especial atenção à pesca ilegal, não declarada e não regulamentada, nem como ao aumento do tráfico de droga, que atinge o oeste do Golfo da Guiné".

A União Europeia é um dos principais prestadores de serviços de segurança marítima no Golfo da Guiné.

 

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