Região exporta 90 por cento da produção de tomate - produtores

Torres Vedras, Lisboa 24 Jul (Lusa) - Os principais produtores de tomate do Oeste produzem mais de 25 mil toneladas entre os meses de Maio e Outubro, exportam cerca de 90 por cento do produto e o restante abastece o mercado nacional, neste período do ano.

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A grande parte da produção de tomate produzida sobretudo no concelho de Torres Vedras é exportada para os mercados de Madrid, Barcelona, Corunha, Paris e Milão pela qualidade do produto e porque nesta altura do ano, devido ao calor, baixa a produção no Sul de Espanha.

No país vizinho, a grande época da produção decorre entre Novembro e Maio quando não é possível produzir em Portugal, também por razões relacionadas com o clima.

Nessa altura, o mercado nacional é abastecido por produtos vindos de fora.

Apesar dos ciclos do clima funcionarem desta forma para a produção de tomate só desde há quatro anos é que os portugueses conseguiram colocar os seus produtos fora de portas, após a criação do sistema de venda em leilão.

"Com os leilões exportamos 90 por cento (do tomate produzido) e o que resta dá para o mercado nacional. Nesta altura somos auto-sustentáveis embora às vezes, mesmo existindo produto nacional, algumas grandes superfícies optem pela importação por ser mais barato", apontou o produtor Horácio Carmo.

Antes dos leilões, os produtores do Oeste, zona onde existe a tradição de plantar hortícolas para abastecer os mercados da capital, os produtores vendiam para as grandes superfícies.

"A certa altura começou a haver concorrência e os produtos começaram a valer menos junto das grandes superfícies e como via o que se fazia em Espanha decidi criar também aqui os leilões", contou à Lusa Horácio Carmo mentor do projecto.

"Com os leilões todos estão ao mesmo nível, há o controle dos preços na produção, o melhor produto é o que vale mais dinheiro", explicou o empresário em cujas instalações decorrem as vendas dos produtos de três dezenas de produtores.

O principal é o tomate seguindo-se em menores quantidades o pepino, pimentos, couves (bróculos, flor, coração e lombardo), alface e alho francês.

Em 2006 foram comercializados nos chamados "leilões do Oeste" 30 mil toneladas de produtos e em 2007 aumentou para 44 mil.

O sucesso dos leilões levou a que já se realizem em mais dois locais sendo que um deles agrega mais de 150 produtores.

Para a qualidade do produto contribuem as condições climáticas, dizem os produtores.

"Na zona de Torres Vedras às vezes estão menos 10 graus que em Lisboa, as temperaturas são amenas e frescas no Verão e os produtos não têm calor em excesso demorando mais a crescer o que os torna mais saborosos" explicou.

A produção de tomate em área coberta (estufa) utiliza ainda novas tecnologias de monitorização do crescimento das plantas.

"Tudo o que fazemos é com recurso à hidroponia (as plantas não crescem directamente da terra mas a partir de lã de rocha) e gastamos menos adubos, as plantas são alimentadas só o que precisam e tudo é controlado", sustentou.

Desde as explorações mais pequenas às maiores, os produtores contactados pela Lusa dizem que o futuro está na exportação.

"Desde que existem os leilões que os nossos produtos são muito mais valorizados. Este sistema é o ideal porque sei que mesmo que não se venda no mercado nacional tem sempre saída para o estrangeiro", disse José Dias produtor com um hectare de área coberta e sete ao ar livre.

Afonso Miranda tem uma exploração de 6,5 hectares de área coberta e mantém acordos com grandes superfícies mas admite que, apesar disso, 60 por cento é exportado para Espanha.

"O mercado nacional está saturado tudo o que invisto é a pensar na exportação. O futuro é conseguir entrar na Alemanha e no Reino Unido", disse à Lusa o produtor.

Nos projectos de Afonso Miranda está ainda a hipótese de "vir a produzir em Espanha no Inverno para depois vender em Portugal e assim fechar o ciclo o ano todo".

Segundo dados da Associação Interprofissional de Horticultura do Oeste existem 400 hectares de área de produção de hortícolas.

Os horticultores são na sua maioria jovens agricultores que se têm vindo a especializar e a estabelecer parcerias com o Instituto Superior de Agronomia com quem têm projectos de melhoramento de sementes através da selecção de variedades.

ZO.


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