Reino Unido e UE marcam cimeira para 20 novembro com Londres a procurar crescimento económico
O Reino Unido e a União Europeia (UE) vão realizar a segunda cimeira bilateral em 20 de novembro, cujos acordos em negociação poderão fazer crescer a economia britânica, afirmou hoje o primeiro-ministro, Andy Burnham.
Burnham defendeu que a cimeira, que vai decorrer em Bruxelas, é "uma oportunidade para avançar em duas questões cruciais: impulsionar o crescimento do Reino Unido e controlar a imigração ilegal".
"Em cima da mesa estão um acordo comercial sobre produtos alimentares e bebidas, um acordo sobre o comércio de emissões, progressos no sentido de interligar os nossos sistemas energéticos, um novo programa de experiências para jovens e uma cooperação mais profunda em matéria de imigração", salientou o líder britânico, durante uma intervenção no parlamento.
Segundo Burnham, os acordos irão acrescentar "o equivalente a mais de 10 mil milhões de libras [cerca de 11 mil milhões de euros, ao câmbio atual] por ano à economia do Reino Unido até 2040, com potencial para acrescentar significativamente mais", sublinhando que o país não deve "voltar as costas" a esta oportunidade.
O chefe do Governo argumentou que um acordo sobre o comércio de bens agroalimentares poderá reduzir custos e burocracia para setores como a agricultura.
No plano energético, afirmou que o acordo proposto poderá reduzir em 20% os custos da energia no mercado grossista na Irlanda do Norte, com benefícios para consumidores e empresas.
Em matéria de imigração, Burnham defendeu o reforço da cooperação policial entre o Reino Unido e a UE, incluindo a partilha de mais dados e registos criminais de nacionais estrangeiros, bem como o acesso mais rápido a provas eletrónicas dos telemóveis de elementos ligados a redes criminosas.
O Governo também quer levantar preocupações sobre o programa "Fabricado na Europa", que Londres receia que prejudique as empresas britânicas.
"É do interesse do Reino Unido garantir um acordo nestes termos e vou trabalhar arduamente nas próximas cinco semanas para o conseguir", afirmou.
Numa resposta a uma pergunta do líder dos Liberais Democratas, Ed Davey, Burnham esclareceu que vai respeitar as promessas eleitorais de não aderir à união aduaneira nem ao mercado único europeus.
A líder do Partido Conservador, Kemi Badenoch, questionou Burnham sobre as alegadas interferências russas no referendo de 2016 sobre a saída do Reino Unido da UE (processo conhecido como `Brexit`) que referiu numa entrevista ao `podcast` "Rest is Politics".
"Recordo que, em 2018, o chefe do MI5 [serviços secretos britânicos] disse que não havia provas de que a Rússia tivesse influenciado o resultado do referendo sobre a UE", afirmou a líder da oposição, exigindo a publicação de provas de que Moscovo terá alterado o resultado.
Badenoch acusou o primeiro-ministro de tentar "distrair o país" em vez de resolver os desafios imediatos, afirmando que "alguns pensaram que todos os problemas do Reino Unido seriam resolvidos com a saída da UE" e que "outros pensam agora que todos os problemas serão resolvidos com a reintegração".
Em resposta, Andy Burnham negou ter sugerido que o resultado do referendo não foi legítimo, mas acrescentou que "atores russos procuraram interferir nas eleições gerais de 2019" e considerou "inconcebível" que tenha sido a primeira vez que tal aconteceu.