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Reitor diz que Universidade de Coimbra "dá lucro ao Estado" e "não merece" cortes financeiros

Reitor diz que Universidade de Coimbra "dá lucro ao Estado" e "não merece" cortes financeiros

Coimbra, 01 mar (Lusa) -- O reitor da Universidade de Coimbra (UC), João Gabriel Silva, disse hoje que a instituição "dá lucro ao Estado" e "não merece" os cortes financeiros da responsabilidade do Governo.

Lusa /

"Nós pagamos para trabalhar", lamentou o reitor, num discurso em que tentou demonstrar que a instituição "recebe 68 milhões de euros e gera pelo menos 70 milhões de euros" por ano.

João Gabriel Silva intervinha na sessão solene comemorativa do 722.º aniversário da Universidade de Coimbra, durante a qual foi entregue ao músico e investigador António Pinho Vargas o Prémio Universidade de Coimbra, no valor de 25 mil euros.

"A UC tem sido bem gerida, ao contrário de outros setores. Ainda há dias soubemos que só o metro de Lisboa teve 600 milhões de euros de prejuízo em 2011, o dobro do ano anterior, e o metro do Porto mais de 300 milhões", exemplificou.

O ensino superior "tem suportado uma fatura muito mais pesada do que os outros setores", disse, salientando que a UC, "que em 2010 recebeu 91 milhões de euros do Orçamento de Estado", foi contemplada este ano com "apenas 63 milhões", o que representa uma redução de 31 por cento.

"De que nos serve sermos o único setor que o memorando da `troika` não menciona como sendo um problema para Portugal? Devíamos receber um prémio, mas só nos dão um castigo", acusou.

Segundo João Gabriel Silva, em 2012, "entre IVA, Segurança Social, Caixa Geral de Aposentações, IRS e ADSE", a Universidade pagará 48 milhões de euros ao Estado.

"A UC é campeã na formação de novas empresas. Se tivermos apenas em conta as empresas incubadas no Instituto Pedro Nunes, que em 2010 tiveram um volume de negócios de cerca de 75 milhões de euros, e, se além disso, considerarmos que estas empresas pagam em impostos, em média, cerca de 30 por cento da sua faturação, o Estado recebe mais 22 milhões de euros", acrescentou.

Tendo em conta que "muito poucas destas empresas se teriam formado se a UC não existisse, podemos somar estes dois valores para um total de 70 milhões de impostos pagos pela UC ou por causa dela".

A Universidade de Coimbra "dá lucro ao Estado", concluiu.

"Temos sabido, com a UC na frente, transferir conhecimento para a sociedade e transformá-lo em riqueza para o país. Não merecemos estes cortes. Não merecemos ser tratados desta forma", criticou.

João Gabriel Silva contestou também a denominada "Lei dos Compromissos", publicada em 21 de fevereiro.

Se esta lei visa "controlar o crescimento dos pagamentos em atraso, porque penaliza quem os não tem? Deveria haver uma regra, muito simples, que dissesse que quem não tem pagamentos relevantes em atraso não é abrangido", defendeu.

"Mas o maior problema com esta lei é o de saber se vale a pena gerir bem em Portugal. O prémio para a boa gestão é receber cortes orçamentais maiores e ficar sem autonomia de decisão?", questionou.

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