Estátua de Cristo destruída no Líbano por soldado israelita
Um soldado israelita destruiu uma estátua de Jesus Cristo, à martelada, no sul do Líbano. A confirmação é do próprio exército de Israel.
Venda de carros elétricos subiu na Europa
Os dados mostram que foram registados 224 mil novos veículos elétricos (VE) em março e 500 mil nos primeiros três meses do ano – um aumento de 33,5 por cento face ao ano anterior, de acordo com uma análise de dados de vendas nacionais em 15 países realizada pela New AutoMotive e pela E-Mobility Europe, uma associação comercial.
Israel afirma ter frustrado plano iraniano de atacar oleoduto Baku-Ceyhan
Num comunicado conjunto, as agências de informação Mossad e Shin Bet disseram que um plano da Guarda Revolucionária Islâmica do Irão para atacar o oleoduto Baku-Tbilisi-Ceyhan, que passa pela Geórgia e chega à Turquia, há algumas semanas, foi frustrado.
A célula planeava também ataques contra alvos judaicos e israelitas no Azerbaijão, incluindo a embaixada e a sinagoga de Israel em Baku, bem como contra líderes da comunidade judaica no Azerbaijão, acrescentaram as agências.
Hezbollah nega presença na Síria após acusações de Damasco
Num comunicado citado pela televisão libanesa Al Manar, o Hezbollah negou qualquer relação com os indivíduos detidos pelas autoridades sírias, classificando as acusações como “falsas e fabricadas”.
O movimento sublinhou que “sempre afirmou que não mantém qualquer presença na Síria nem participa em qualquer atividade no país, independentemente da sua natureza”.
O Hezbollah queixou-se do que descreve como um “padrão recorrente” de associação do grupo a incidentes de segurança na Síria, apontando um alegado esforço para “distorcer a imagem da resistência”.
Segundo o grupo, as acusações visam “minar a sua função principal”, que descreveu como sendo o confronto com Israel em defesa do Líbano.
No domingo, o Ministério do Interior sírio anunciou ter frustrado um “plano de sabotagem” atribuído a uma célula ligada ao Hezbollah, alegadamente destinado a desestabilizar a região.
Bruxelas admite possíveis ações caso falte combustível de aviação na UE
A Comissão Europeia reiterou hoje que não existe uma escassez de combustível, nomeadamente para aviação, na União Europeia (UE), mas assegurou preparação para "possíveis ações" e lembrou a "capacidade significativa" para refinar petróleo bruto no espaço comunitário.
"Não existe qualquer escassez de combustível na UE neste momento. Obviamente, parte da preparação passa por falar com os cidadãos, informá-los, e sabemos que a situação não é ideal", disse a porta-voz do executivo comunitário Eva Hrncirova.
Falando na conferência de imprensa da instituição, em Bruxelas, a responsável apontou que "a disponibilidade de combustíveis de aviação é uma prioridade e é importante dizer que aqui na UE também existe uma capacidade significativa para refinar petróleo bruto e produzir combustível de aviação".
"Estamos a preparar-nos para possíveis ações", assinalou.
Eva Hrncirova admitiu que a crise energética causada pelo conflito no Médio Oriente "obviamente afeta os mercados aqui na União Europeia".
"O nosso papel é sobretudo coordenar e preparar diferentes cenários. Temos o grupo de coordenação do petróleo, que se reuniu na semana passada, e o grupo também voltará a reunir-se no final desta semana", referiu.
Ainda assim, lembrou que "tudo depende da evolução da situação", reforçando que, "nesta fase, não há escassez de combustível na UE".
Na sequência dos ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irão e da consequente resposta iraniana, há cerca de dois meses, têm vindo a verificar-se perturbações no estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial, o que afeta o combustível para aviação já que este depende diretamente do preço e disponibilidade do petróleo bruto.
Os ministros dos Transportes da UE vão reunir-se na terça-feira, numa videoconferência informal, para debater os impactos do conflito no Médio Oriente para o setor, nomeadamente para a aviação dada a pressão sobre o combustível.
Na passada quinta-feira, o diretor da Agência Internacional de Energia disse que a Europa tem "talvez mais seis semanas de combustível para aviões", alertando para possíveis cancelamentos de voos em breve se o abastecimento de petróleo continuar bloqueado.
No mesmo dia, a Associação das Companhias Aéreas em Portugal disse que, para já, não há impacto na operação, mas admite a possibilidade de cancelamentos de voos e preços mais altos se a crise energética persistir.
As leis da UE obrigam os Estados-membros a manter reservas estratégicas para 90 dias, tanto de petróleo como de gás.
No que diz respeito ao petróleo, cabe aos Estados-membros decidir que parte dessas reservas de 90 dias corresponde a petróleo bruto e que parte corresponde a produtos refinados, incluindo querosene e combustível de aviação.
Uma escalada do conflito que envolve Irão, Estados Unidos e Israel tem impactos diretos no setor dos transportes, nomeadamente marítimo em qualquer perturbação no Estreito de Ormuz.
Na aviação, assiste-se a fecho ou a restrição do espaço aéreo, maior consumo de combustível e custos operacionais mais elevados.
Israel vai encerrar passagens para Gaza na terça e quarta-feira
Israel encerrará na terça e quarta-feira as passagens por onde entra a ajuda humanitária na Faixa de Gaza devido aos feriados israelitas, dificultando ainda mais a situação dos dois milhões de palestinianos que vivem no enclave, foi hoje divulgado.
"Informamos que as passagens fronteiriças entre Israel e a Faixa de Gaza permanecerão fechadas nesta terça e quarta-feira (21 e 22 de abril) por ocasião do Dia Nacional da Memória e do Dia da Independência de Israel", indicou, em comunicado, o COGAT, o órgão militar israelita que administra os territórios palestinianos ocupados.
O COGAT salientou que, apesar do encerramento, o trabalho de recolha de ajuda humanitária já presente em Gaza continuará.
Este órgão militar já fechou as passagens fronteiriças de Gaza, que Israel controla na totalidade, durante as duas festas judaicas da Páscoa no início de abril.
Também as encerrou desde o início da guerra com o Irão, a 28 de fevereiro, durante dois dias, exceto na passagem de Rafah, na fronteira com o Egito e a única por onde se realizam evacuações médicas de palestinianos. Esta passagem só reabriu a 18 de março.
O COGAT diz que permite a entrada de cerca de 600 camiões de ajuda humanitária em Gaza por dia, embora apenas cerca de 120 deles sejam de agências humanitárias.
O restante é carga comercial, que a maioria dos habitantes de Gaza não consegue pagar.
Companhias aéreas estrangeiras vão retomar as operações no aeroporto internacional do Catar
A QCAA afirmou que a decisão de retomar os voos “segue-se a uma avaliação abrangente da situação, realizada em coordenação com todas as entidades nacionais relevantes, para garantir os mais elevados níveis de prontidão e eficiência operacional”.
Político libanês afirma que Israel causou destruição em 39 aldeias no sul do Líbano
Ali Hassan Khalil, assessor do presidente do Parlamento libanês, Nabih Berri, afirmou que as poderosas explosões provocadas pelas forças israelitas destruíram casas de civis no sul, o que constitui "um claro crime de guerra".
Governo confiante que não haverá cancelamento de voos
"O governo sabe os limites que temos em stocks nos aeroportos nacionais e o que temos no país. O jet fuel é um problema internacional e à escala europeia que estamos a acompanhar de perto", afirmou o governante.
Miguel Pinto luz deixou ainda a garantia "que nada falhe, nos próximos meses, a esse respeito".
Tráfego marítimo continua praticamente paralisado no Estreito de Ormuz
O navio-tanque de produtos petrolíferos Nero, que está sob sanções britânicas por atividades petrolíferas russas, deixou o Golfo Pérsico e estava a navegar pelo Estreito, de acordo com as análises de satélite da empresa de análise de dados SynMax e os dados de rastreio da plataforma Kpler.
Outros dois navios - um navio-tanque de produtos químicos e um navio-tanque de gás de petróleo liquefeito (GPL) - entraram no Golfo Pérsico pela importante via navegável separadamente esta segunda-feira, mostraram os dados.
O navio-tanque de GPL, Axon I, estava sujeito a sanções separadas dos EUA pelas suas atividades comerciais com o Irão.
China pede passagem normal no Estreito de Ormuz
A China defende um cessar-fogo imediato e abrangente e insiste na resolução dos conflitos no Médio Oriente através de canais políticos e diplomáticos, afirmou Xi Jinping, segundo a agência Xinhua.
Ministros dos Transportes da União Europeia reúnem-se para debater impactos no setor
Numa altura em que se assinalam quase dois meses desde os ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irão e da consequente resposta iraniana, os ministros dos Transportes da União vão reunir-se numa videoconferência informal para "debater o impacto dos recentes desenvolvimentos geopolíticos no Médio Oriente no sistema e no setor dos transportes da UE", informou a presidência cipriota do Conselho.
Portugal estará representado na reunião virtual pelo ministro das Infraestruturas, Miguel Pinto Luz.
Apesar da incerteza que o conflito cria para o setor dos transportes, certo é que já existem aumentos de custos e impactos nas operações devido à subida dos preços da energia, perturbações nas rotas e riscos acrescidos para a logística global.
A presidência rotativa do Conselho da União, ocupada este semestre por Chipre, quer assegurar uma forte coordenação da UE, reduzir dependências externas de combustíveis fósseis e adotar medidas concretas e acionáveis.
Na reunião de terça-feira, pretende, por isso, focar-se em garantir o abastecimento de combustível, preservar a conectividade em todos os modos de transporte e evitar respostas nacionais fragmentadas ou descoordenadas.
A discussão surge na véspera de a Comissão Europeia divulgar, na quarta-feira, um pacote de medidas para aliviar a crise energética causada pelo conflito no Médio Oriente.
"Embora a União Europeia não esteja a enfrentar escassez de combustível, o aumento dos preços, especialmente com impacto na aviação, continua a exercer pressão sobre o setor", admite fonte da presidência cipriota.
Quando alguns países já avançam com medidas, Nicósia quer assegurar uma abordagem coordenada, proporcional e compatível com as regras de mercado único da UE.
Países árabes vão debater o bloqueio ao estreito de Ormuz
No encontro, por videoconferência, os ministros dos Negócios Estrangeiros dos vários países “vão analisar os acontecimentos na região, a guerra entre a República Islâmica e os estados do golfo Pérsico e as ameaças iranianas contra eles”, segundo fontes daquela organização.
Em comunicado oficial, diz-se que a conferência foi convocada pelo governo do Bahrein, que preside à Liga Árabe e tem uma das mais importantes bases militares norte-americanas da região, sem mencionar quaisquer representantes de Washington.
Bahrein e outros parceiros no Conselho de Cooperação do Golfo (CCG) têm sido alvo de ataques iranianos, com centenas de drones e mísseis balísticos, durante a guerra e até a entrada em vigor do cessar-fogo de duas semanas, que expira quarta-feira.
As ofensivas iranianas, direcionados principalmente a instalações de petróleo e gás, além do bloqueio iraniano do Estreito de Ormuz - a principal rota petrolífera mundial - prejudicaram significativamente as economias do bloco económico e político do CCG, fortemente dependente das exportações de energia. Além do Bahrein, o CCG é composto por Arábia Saudita, Qatar, Kuwait, Emirados Árabes Unidos (EAU) e Omã.
40 anos de "grandes negociações" sem sucesso: As tentativas dos EUA para chegar a acordo com o Irão
A 11 de abril, os Estados Unidos estabeleceram conversações com o Irão para pôr termo à guerra com Israel. As conversações fracassaram, uma vez que o Irão se recusou a parar o seu programa nuclear.
Trump sublinhou que os Estados Unidos negociaram com o Irão "durante 40 anos" e que tinham sido "grandes negociações". No entanto, os numerosos contactos, manipulações e ameaças não conduziram ao objetivo principal de cancelar o desenvolvimento de armas nucleares pelo Irão. O Suspilne faz uma retrospetiva e conta a longa história das negociações entre os EUA e o Irão e as razões pelas quais não chegaram a acordo.Os anos 80 e a "crise dos reféns"
A revolução de 1979 transformou o Irão de uma monarquia na chamada República Islâmica, dirigida pelo líder religioso Ayatollah Ruhollah Khomeini. Até então, Teerão e Washington mantinham uma relação construtiva: por exemplo, na década de 1950, o Irão fez parte do programa norte-americano Átomos para a Paz, que proporcionava acesso a informações e matérias-primas para a criação de centrais nucleares. Após a revolução, tudo mudou - principalmente por causa do Irão.
A 4 de novembro de 1979, apoiantes da República Islâmica do Irão assaltaram o edifício da Embaixada dos EUA em Teerão. Tratou-se de um protesto de jovens iranianos contra a alegada ingerência dos EUA nos assuntos internos do país, com base numa atitude hostil em relação a Washington. Fizeram reféns mais de 50 americanos, desde o encarregado de negócios até aos funcionários de nível mais baixo. Os novos dirigentes do país tomaram os reféns dos manifestantes para influenciar os Estados Unidos. Para libertar os cidadãos, a administração do Presidente norte-americano Jimmy Carter decidiu negociar com os iranianos.
As negociações falharam. O Irão exigiu que os Estados Unidos extraditassem o Xá, que tinha fugido do país. Os Estados Unidos recusaram-se a fazê-lo porque enfrentava a execução. Outra razão para o fracasso foi a política externa. Em particular, devido à invasão soviética do Afeganistão em dezembro desse ano, que "distraiu" alguns peritos da Casa Branca. Os meios de comunicação social norte-americanos falavam com insistência sobre o destino dos reféns, enquanto as autoridades iranianas partilhavam poucos pormenores. A insatisfação com a situação nos Estados Unidos estava a aumentar.
Em 1980, a administração Carter decidiu libertar os reféns pela força. No entanto, a operação falhou devido às condições meteorológicas: tempestades no deserto impediram a aterragem dos helicópteros. O Irão teve em conta esta situação e levou os reféns para outros locais. Assim, mesmo que os militares americanos tivessem aterrado com êxito no Irão, não teriam podido libertar rapidamente todos os reféns e corriam um risco elevado de serem eles próprios feitos prisioneiros. Carter teve de regressar às negociações.
Em novembro de 1980, com a mediação da Argélia, iniciou-se uma troca de exigências entre os Estados Unidos e o Irão. O Irão exigiu que os seus bens fossem descongelados e que os EUA não interferissem nos seus assuntos internos. Os Estados Unidos recusaram-se a devolver rapidamente todos os ativos do Irão. Para um descongelamento parcial, exigiu a devolução dos reféns.
Apesar da teimosia de ambas as partes, os Acordos de Argel foram assinados em janeiro de 1981. Os Estados Unidos comprometeram-se a não interferir política ou militarmente nos assuntos internos do Irão, a levantar as sanções económicas e a devolver os bens congelados. A de 20 de janeiro, o Irão libertou os reféns quase logo após a tomada de posse do novo Presidente dos EUA, Ronald Reagan.
Os meios de comunicação social norte-americanos acusaram Casey de, alegadamente, "manter reuniões secretas" com funcionários iranianos e de "prometer reservas de armas americanas" que Teerão tinha contratado antes da mudança de regime. Os representantes de Reagan também comunicaram alegadamente com funcionários de outros países árabes do Médio Oriente, pedindo-lhes que influenciassem o Irão a manter os reféns durante mais tempo. Em 1993, o Congresso dos EUA efectuou uma investigação sobre esta possível conspiração e concluiu que não existia.
Os funcionários da administração Reagan também negaram a conspiração. Mas em 1996, o líder da Organização para a Libertação da Palestina, Yasser Arafat, disse ao Presidente Carter que tinha falado com os representantes de Reagan sobre os reféns. Estes teriam prometido a mesma coisa: fornecer armas em troca da entrega dos reféns pelo Irão mais tarde, após as eleições americanas. Arafat declarou que, alegadamente, tinha recusado.
No entanto, as relações entre os EUA e o Irão não melhoraram durante a presidência de Reagan. Durante o seu primeiro mandato, o Irão foi adicionado à lista dos Estados patrocinadores do terrorismo.O acordo nuclear de Barack Obama Nas décadas de 1990 e 2000, as relações entre os Estados Unidos e o Irão só se deterioraram. Em 1996, o Presidente Bill Clinton aprovou uma lei que impunha sanções severas a quem comprasse petróleo ao Irão ou investisse mais de 40 milhões de dólares no país durante um período de 12 meses. O objetivo da lei era reduzir a capacidade do Irão para desenvolver mísseis balísticos e armas nucleares.
O próximo presidente dos EUA, Barack Obama, decidiu resolver a situação diplomaticamente.
Obama iniciou correspondência com o Ayatollah Ali Khamenei. O Presidente norte-americano tencionava travar o desenvolvimento de armas nucleares e incluí-lo no acordo em troca de incentivos económicos e outros por parte de Washington. "A política em relação ao Irão tem de mudar", disseram funcionários da administração Obama aos meios de comunicação social norte-americanos.
Numa carta posterior, Barack Obama apelou aos líderes iranianos para que aceitassem negociar um acordo nuclear ou "enfrentariam sanções". E as sanções não tardaram a chegar: Os Estados Unidos impuseram-nas às exportações iranianas, não só de petróleo mas também de gás, e houve restrições às importações de produtos iranianos ou ao sistema bancário.
No final, em 2013, o Irão encontrou-se com os Estados Unidos a meio caminho. Após as eleições presidenciais de junho, ganhas por Hassan Rouhani, igualmente moderado em relação aos Estados Unidos, o país entrou em negociações. Rouhani era a favor de um acordo nuclear e conseguiu persuadir Khamenei a fazê-lo. Em novembro, o Irão e os Estados Unidos adoptaram um plano de ação conjunto, que foi igualmente assinado pelo Conselho de Segurança da ONU.
No âmbito deste plano, o Irão comprometeu-se a deixar de produzir urânio enriquecido a 20%, a permitir o acesso da AIEA às suas instalações nucleares e a reforçar a vigilância. Em resposta, os Estados Unidos, a União Europeia e o Conselho de Segurança da ONU concordaram em aliviar as sanções económicas contra Teerão.
Os países do Médio Oriente apoiaram o acordo. A Arábia Saudita e o Qatar manifestaram esperança de que o plano "libertasse" o Médio Oriente das armas nucleares. Outro país que possui armas nucleares na região é Israel.
Foi Israel que ficou indignado com o Plano de Ação Comum. O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu chamou-lhe um "erro". O país começou a manifestar a opinião de que os Estados Unidos não deveriam ser autorizados a estabelecer regras de segurança na região, e Israel deveria "tomar as questões de segurança nas suas próprias mãos".
O Congresso dos EUA esteve dividido nas suas reações ao acordo. A Câmara dos Representantes, controlada pelos republicanos, manifestou o seu descontentamento. O Presidente da Câmara, John Boehner, exigiu que os signatários do Plano de Ação Conjunto não levantassem as sanções contra o Irão até que o país fechasse completamente todas as instalações de desenvolvimento de armas nucleares. E o líder da maioria, Eric Cantor, manifestou o receio de que o Irão continuasse a enriquecer urânio, uma vez que o plano não exigia que o país abandonasse todas as instalações nucleares. Os democratas do Congresso apoiaram o acordo.
O Irão aceitou limitar o seu programa nuclear. Era isto que estava previsto: limitar o número e os tipos de centrifugadoras, os níveis de enriquecimento e as reservas de urânio; converter as principais instalações de Fordow, Natanz e Arak para uso civil; aceitar um maior controlo da AIEA.
Em troca, o Irão foi parcialmente libertado das sanções da ONU, da UE e dos EUA - embora as restrições dos EUA relacionadas com o seu programa de mísseis, o apoio a grupos militantes e as violações dos direitos humanos se mantivessem em vigor. O acordo previa igualmente o levantamento gradual do embargo de armas imposto pela ONU, desde que o Irão cumprisse as suas obrigações.
O Presidente iraniano Hassan Rouhani tornou-se o principal defensor do acordo no país. Afirmou que o país estava a "sofrer com as sanções" e que as concessões no desenvolvimento de armas nucleares eram necessárias para a economia do país. O parlamento do Irão apoiou o acordo em outubro de 2015.
O Congresso dos EUA, por outro lado, rejeitou o acordo. O acordo não necessitava de ratificação parlamentar, mas a administração Obama esperava que fosse aprovado. O Departamento de Estado norte-americano apresentou o acordo ao Congresso juntamente com um relatório com os pontos fortes e fracos. No entanto, os republicanos prometeram "fazer descarrilar o acordo".
Em setembro de 2015, a Câmara dos Representantes fracassou na aprovação de uma resolução que aprovava o acordo com o Irão. Os republicanos votaram contra a resolução na íntegra, com vários congressistas democratas a juntarem-se a eles. A resolução não afetou o acordo enquanto tal, mas foi crucial para o candidato presidencial Donald Trump.
Trump criticou Obama pelo acordo e prometeu que, quando se tornasse presidente, renegociaria o acordo nuclear com o Irão, ou mesmo retiraria os EUA do acordo. Considerou-o um desastre e afirmou que poderia conduzir a um "holocausto nuclear". Uma das primeiras coisas que Trump fez após a sua tomada de posse, a 20 de janeiro de 2017, foi retirar os EUA do acordo.
Em abril de 2018, na sequência do discurso do primeiro-ministro israelita Benjamin Netanyahu sobre as instalações nucleares do Irão, o Presidente Trump anunciou a retirada dos EUA do acordo nuclear.
A Arábia Saudita, que inicialmente apoiou o plano, desta vez ficou do lado de Washington. O país afirmou que "construiria a sua própria bomba nuclear" se o Irão também o fizesse.
Israel estava preocupado com as armas nucleares. Na véspera do ataque, a 12 de junho, a AIEA declarou que o Irão "não estava a cumprir as suas obrigações" em matéria de desenvolvimento de armas nucleares e que continuava a trabalhar nesse sentido, apesar da sua participação no acordo nuclear e no Tratado de Não Proliferação Nuclear.
Trump proclamou inicialmente que iria forçar os dois países a "fazer um acordo" e que não iria impedir Israel de atacar o Irão e as suas instalações nucleares. Os Estados Unidos também ajudaram Israel a intercetar mísseis e drones iranianos desde o primeiro dia de operações em 2025.
E, a 22 de junho, os EUA juntaram-se a Israel nos ataques, atingindo as instalações nucleares do Irão em Fordow, Natanz e Isfahan. Trump afirmou que este era um "momento histórico para os Estados Unidos, Israel e o mundo" e que o Irão "deve agora concordar em acabar com esta guerra".
Os Estados Unidos juntaram-se a esta iniciativa principalmente porque os ataques israelitas não destruíram completamente as instalações nucleares do Irão. O Irão escondeu-as no subsolo e nas montanhas, o que naturalmente as protege de ataques. Os americanos utilizaram armas que "supostamente destroem bunkers" - concebidas especificamente para abrigos subterrâneos - para atacar o Irão.
As reacções do mundo ao ataque dos EUA foram diferentes. A União Europeia, um dos signatários do acordo nuclear, declarou que o Irão deve renunciar às armas nucleares, mas não apoiou a ação militar dos EUA. França, Reino Unido, ou elementos do Conselho de Segurança da ONU, também não apoiaram a operação.
Os ataques às instalações nucleares do Irão não as destruíram. Os serviços secretos relataram que os ataques dos EUA apenas suspenderam a produção de componentes de armamento, colocando o programa nuclear em suspenso durante meses e não anos. Os militares israelitas também disseram o mesmo.
Depois disso, o Irão encetou novas negociações nucleares, mas não com os Estados Unidos. A 20 de junho, representantes iranianos reuniram-se com representantes do Reino Unido, França e Alemanha. No entanto, os europeus exigiram ao Irão o mesmo que Washington: que deixasse de enriquecer urânio e desistisse das armas nucleares.
Em agosto de 2025, soube-se que o Reino Unido, a França e a Alemanha apelaram à ONU para retomar as sanções contra o Irão devido às tentativas contínuas de construir armas nucleares. Em setembro, o Irão retirou-se do acordo de 2015.
O Irão não vai concordar com as exigências do Ocidente, pouque desistir do seu programa nuclear seria uma rendição, diz Markus Schneider, chefe do Projeto Regional para a Paz e Segurança no Médio Oriente da Fundação Friedrich Ebert, com sede em Beirute. Enquanto o atual regime acreditar que é capaz de oferecer resistência armada a outros Estados e até de atacar em resposta, é impossível persuadi-lo a mudar através de negociações, afirma.
Marija Patoka / 17 abril 2026 16:51 GMT+1
Edição e Tradução / Joana Bénard da Costa
Kremlin espera que negociações entre EUA e Irão se mantenham
"Podemos ver que a situação no Golfo continua frágil e imprevisível. Esperamos que o processo de negociação continue e que possamos evitar uma escalada para um cenário militar", disse o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, aos jornalistas.
Peskov afirmou que a Rússia não está a atuar como mediadora nas negociações sobre o Irão, mas está pronta para ajudar, caso seja solicitada.
"Podemos ver que a Rússia não está a atuar como mediadora nas negociações sobre o Irão, mas está pronta para ajudar, se tal for solicitado". "A Rússia não é atualmente mediadora no processo de negociação, mas estamos prontos para prestar toda a assistência necessária para facilitar uma resolução pacífica e ajudar a chegar a um acordo", disse Peskov.
Exército israelita adverte libaneses contra regresso ao sul
Desde que a trégua entre Israel e o movimento islâmico pró-Irão entrou em vigor na sexta-feira, milhares de deslocados internos começaram a regressar a algumas cidades do Sul, à medida que o exército libanês iniciava a reabertura de estradas e pontes danificadas por ataques aéreos.
O exército israelita emitiu, contudo, um novo alerta.
"O Hezbollah continuou as suas atividades terroristas durante o cessar-fogo, em violação do acordo. Como resultado, as forças israelitas continuam posicionadas na zona de defesa", disse o porta-voz do exército em árabe, coronel Avichay Adraee, à agência X.
"Para vossa segurança e das vossas famílias, e até novo aviso, pedimos-vos que não viajem para sul da linha de defesa avançada", acrescentou, referindo-se à linha que delimita a área ocupada pelas tropas israelitas... No sábado, um responsável do Hezbollah também pediu cautela aos residentes, alertando-os contra um regresso prematuro ao sul.
O ministro da Defesa israelita, Israel Katz, declarou no domingo que o exército recebeu ordens para usar “toda a sua força” contra qualquer ameaça no Líbano, incluindo durante o cessar-fogo.
Hezbollah reivindicou ataque contra Exército de Israel no sul do Líbano
Em comunicado, o Hezbollah ("Partido de Deus") reivindicou a destruição de quatro carros de combate de Israel.
De acordo com a mesma declaração, o ataque envolveu a detonação de várias bombas "previamente colocadas" enquanto oito carros de combate israelitas circulavam perto de Taibe.
Irão sem internet há 52 dias
As restrições foram consequência de novos protestos antigovernamentais no início de Janeiro e intensificaram-se após o início da guerra entre os EUA e Israel contra o Irão no final de fevereiro.📉 #Iran's internet shutdown has entered its 52nd day after 1224 hours. Metrics show that the general public remain cut off from international networks, while authorities continue efforts to segregate users and provide selective access to favored groups. pic.twitter.com/acILot9tHV
— NetBlocks (@netblocks) April 20, 2026
O bloqueio afetou empregos e empresas em todo o país.
Trump vai analisar conselho do Paquistão sobre o Estreito de Ormuz
"Capacidades defensivas" de Teerão não estão abertas a negociações
A fonte iraniana afirmou que as "capacidades defensivas" de Teerão, incluindo o seu programa de mísseis, não estão abertas à negociação com os Estados Unidos.
"A continuidade do bloqueio dos EUA no Estreito de Ormuz prejudica as conversações de paz", acrescentou a fonte.
Pelo menos 3.375 pessoas morreram no Irão desde o início do conflito
Pelo menos 3.375 pessoas morreram no Irão, desde o início da guerra desencadeada por Israel e os Estados Unidos, divulgou hoje o chefe da Organização de Medicina Legal iraniana.
Segundo o chefe da Organização de Medicina Legal do Irão, Abbas Masjedi, apenas quatro corpos deste novo número estão por identificar.
Masjedi, citado pela agência de notícias Mizan, órgão oficial de comunicação do poder judiciário do Irão, não detalhou as baixas entre civis e forças de segurança, afirmando apenas que 2.875 eram homens e 496 mulheres.
Segundo disse, 383 tinham menos de 18 anos de idade.
Os novos números divulgados por Masjedi levantaram dúvidas sobre se incluem ou não membros das forças de segurança, especialmente por causa dos intensos bombardeamentos contra bases militares e arsenais no país.
Pequim manifesta "preocupação" e pede ao Irão e aos EUA que negociem
"Manifestámos a nossa preocupação com a interceção forçada da embarcação em causa pelos EUA", disse o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros, Guo Jiakun.
"A China apoia as partes envolvidas na manutenção do ímpeto tanto do cessar-fogo como das negociações", afirmou, enquanto Teerão indicou que não pretende participar em novas negociações com Washington.
Irão não tem planos para novas conversações com os EUA
Bagaei disse que o bloqueio naval que os EUA impuseram aos portos e navios iranianos e o ataque a uma embarcação daquele país "constituem um claro exemplo de ato de agressão".
O mesmo responsável sublinhou que tudo "intensifica a desconfiança" perante os EUA, que, em menos de nove meses, atacou o Irão em duas ocasiões enquanto decorriam negociações e matou altos dirigentes e cidadãos iranianos.
Petroleiro deixa o Estreito de Ormuz rumo a refinaria sul-coreana
O Odessa, com bandeira de Malta, passou pelo estreito a 13 de abril, segundo dados da Kpler, mas não indicaram onde o petroleiro carregou o petróleo.
O petroleiro Suezmax, com capacidade para um milhão de barris de petróleo, teve o seu localizador AIS desligado e reapareceu a 17 de abril junto ao porto de Fujairah, nos Emirados Árabes Unidos, segundo dados da LSEG.
Irão retoma voos internacionais
Irão executou dois homens por ligações à inteligência israelita
"As sentenças de morte de Mohammad Masoom-shahi e Hamed Validi foram executadas de madrugada", informou o Mizan Online, um site ligado ao poder judicial.
Segundo a fonte, que não especificou a data da detenção, os dois homens eram "membros de uma rede de espionagem ligada à Mossad", o serviço de informações israelita.
Foram condenados pelo crime de "guerra contra Deus" e de "colaboração com grupos hostis e o regime sionista".
Teerão realizou várias execuções desde o início da guerra com Israel e os Estados Unidos, a 28 de fevereiro. Um cessar-fogo de duas semanas está em vigor desde 8 de abril.
Preço do petróleo Brent sobe mais de 5%
O preço do petróleo Brent para entrega em junho subiu hoje quase 5,6%, ultrapassando os 95 dólares por barril no mercado de futuros de Londres, no meio de novas tensões entre os Estados Unidos e o Irão.
Às 07:55 de hoje (06:55 em Lisboa), segundo dados da Bloomberg compilados pela agência de notícias espanhola EFE, o petróleo Brent, referência europeia, estava a subir 5,6%, cotado nos 95,35 dólares.
No entanto, durante a madrugada, chegou a ultrapassar os 97 dólares.
O Brent voltou a subir depois de ter caído mais de 9% na sexta-feira, para pouco mais de 90 dólares, depois do anúncio do Irão sobre a reabertura do Estreito de Ormuz em resposta ao cessar-fogo declarado no Líbano.
Entretanto, o preço do crude West Texas Intermediate (WTI), referência americana, subiu mais de 6%, para 88,9 dólares por barril.
A subida do Brent ao início da manhã ocorreu após uma nova escalada do conflito entre os Estados Unidos e o Irão e o agravamento das tensões no Estreito de Ormuz.
Estas tensões tiveram origem no ataque e na apreensão, por parte dos EUA, de um grande navio cargueiro iraniano no Golfo de Omã, enquanto este tentava contornar o bloqueio imposto por Washington aos portos iranianos.
Hoje de manhã, o Irão denunciou o ataque como uma violação do cessar-fogo entre Teerão e Washington e disse que respondeu com ataques de drones contra navios norte-americanos.
Este incidente ocorre antes da segunda ronda de negociações de paz entre os Estados Unidos e o Irão no Paquistão, na qual participará o vice-presidente americano JD Vance.
O Irão recusa-se a participar até que os Estados Unidos suspendam o seu bloqueio marítimo.
Exército israelita confirma que soldado destruiu uma estátua de Jesus no Líbano
O exército de Israel confirmou hoje que o soldado fotografado a destruir uma estátua de Jesus Cristo com um martelo numa aldeia cristã no sul do Líbano é um militar israelita.
"Após uma análise inicial, foi determinado que esta fotografia mostra um soldado israelita em missão no sul do Líbano", escreveram as Forças de Defesa de Israel (IDF, na sigla em inglês), na rede social X.
"Serão tomadas medidas apropriadas contra os envolvidos, de acordo com as conclusões da investigação", acrescentou o exército, assegurando que estava a tratar o assunto com "o máximo rigor".
As IDF reiteraram o compromisso de "ajudar a comunidade a recolocar a estátua no seu lugar" e afirmaram que não tinham "qualquer intenção de danificar as infraestruturas civis, incluindo edifícios ou símbolos religiosos".
A imagem tem circulado amplamente nas redes sociais desde que o jornalista palestiniano Yunis Tirawi a partilhou no domingo.
A fotografia ostra um soldado israelita, empunhando um longo martelo, a golpear o rosto de uma estátua de Jesus Cristo crucificado que tinha sido retirada da cruz, deixando-a de cabeça para baixo no chão. A fotografia foi tirada num espaço aberto, não dentro de uma igreja.
Segundo Tirawi e o jornal israelita Yedioth Ahronoth, a estátua estava localizada na aldeia de Debel, na região centro-sul do Líbano, que continua sob ocupação militar israelita.
As tropas israelitas permaneceram na zona e demoliram mais casas no domingo, de acordo com a agência de notícias oficial libanesa ANI.
Israel assumiu o controlo de várias áreas no sul do Líbano, um bastião do Hezbollah, depois de o movimento pró-Irão ter atacado Israel a 2 de março, em retaliação pela ofensiva israelo-norte-americana contra o Irão. Um cessar-fogo entrou em vigor no Líbano na sexta-feira.
Teerão disposto a conversar com Washington mas sem confirmar presença em Islamabad
Azizi frisou que há `linhas vermelhas` que "devem ser respeitadas" e ameaçou Estados Unidos e Israel com consequências caso "tomem medidas contrárias aos interesses" da República Islâmica, considerando que ir ao Paquistão "não significa negociar a qualquer preço" nem aceitar qualquer proposta da outra parte.
O também ex-comandante da Guarda Revolucionária iraniana afirmou que "a questão do Líbano foi muito importante", acrescentando que "a libertação dos ativos [financeiros] congelados" pelas sanções internacionais é uma "das condições prévias".
Presidente do Irão destaca importância da diplomacia e sublinha desconfiança em relação aos EUA
Um cessar-fogo de duas semanas entre o Irão e os EUA expira esta quarta-feira, com representantes norte-americanos a chegarem a Islamabad para negociações com o Irão esta segunda-feira, enquanto Teerão ainda não anunciou se vai enviar uma delegação ao Paquistão.
Preço do petróleo subiu devido à tensão das últimas horas entre Estados Unidos e Irão
Hoje há uma descida no preço dos combustíveis em Portugal
Escalada de tensão. Drones iranianos atacam marinha americana após apreensão de navio
O comando militar do Irão acusa os Estados Unidos de violarem o cessar-fogo, ao terem apreendido um navio iraniano.
Por esse motivo, as forças iranianas retaliaram, atacando também alguns navios militares americanos com drones.
Tudo começou com a marinha norte-americana a travar e a tomar o controlo de um navio com bandeira iraniana.
Donald Trump anunciou na rede Truth Social que a embarcação tentou contornar o bloqueio americano aos portos iranianos e que a força naval americana impediu a passagem do navio, abrindo um buraco na casa das máquinas.
O barco, com o nome Touska, foi interceptado no Golfo de Omã, depois da tripulação ter recusado obedecer.