EM DIRETO
Guerra no Médio Oriente. Acompanhe aqui, ao minuto, a evolução do conflito

Relatório. África permanece dividida e "volta a ser campo de batalha" para terceiros

Relatório. África permanece dividida e "volta a ser campo de batalha" para terceiros

O continente africano "permanece dividido" e a instabilidade tem aumentado, voltando a tornar-se num "campo de batalha" para terceiros, desde a corrida aos minerais até ao apoio diplomático nas Nações Unidas (ONU), segundo um relatório apresentado terça-feira.

Lusa /

O Instituto de Estudos de Segurança (ISS, na sigla em inglês) - um `think-tank` regional com foco exclusivo em África -, apresentou hoje, em Washington, um relatório que examina as tendências globais para o desenvolvimento de África e que, entre outros tópicos, analisou o papel do continente como "um peão em vez de um jogador" no cenário global.

"No cenário de um mundo em guerra, a África volta a ser um campo de batalha para os outros, desta vez para os minerais que possibilitam a Quarta Revolução Industrial e para o apoio diplomático em fóruns como a Assembleia Geral da ONU", onde muitos países africanos se têm destacado por se recusarem a condenar a Rússia pela invasão da Ucrânia, indica o relatório.

Num olhar para a economia africana, a pobreza continua "profunda e generalizada" e a "integração comercial pouco avançou", sendo que a desigualdade dentro e entre os países tem aumentado", acrescenta o texto.

"Em vez da integração regional, o Norte de África liga-se à União Europeia (UE), o Corno de África ao Golfo Pérsico, a África Ocidental aos Estados Unidos da América (EUA) e a África Austral, Central e Oriental à China", avalia o relatório.

Numa análise da ascensão da China como potência económica global e da sua influência em África, o relatório indicou que, em 2000, o grupo EUA/UE tinha oito vezes mais influência no continente africano do que a influência combinada da China e da Rússia, justificando esse domínio como o historial colonialista do ocidente.

Contudo, em 2019, essa "proporção caiu para três vezes" e continua a diminuir: "O fluxo de materiais de África para a China e os investimentos feitos por Pequim na construção de infraestrutura e no comércio com África estão a mudar as relações", frisou.

Além disso, o papel da China em África, aponta o ISS, também se está a expandir além do comércio e empréstimos, com as empresas chinesas a responderem já por cerca de um oitavo da produção industrial do continente, e abrangendo também a infraestrutura digital com a empresa chinesa Huawei, fortemente sancionada pelos EUA.

Porém, apesar desse cenário, "uma combinação de China, Rússia e vários outros aliados não se compara em potencial de poder e influência ao Ocidente", realçou o ISS.

O relatório analisou ainda a recente "operação de charme" lançada por Moscovo a África após a invasão da Ucrânia, sublinhando que a Rússia é responsável por quase metade das importações de armas do continente, e é um importante fornecedor (juntamente com a Ucrânia) de cereais, fornecimento esse que acabou gravemente prejudicado pela guerra.

"Contudo, representa apenas 1% do investimento estrangeiro direto (IED) do continente. Isso é minúsculo em comparação com o IDE da China, o maior parceiro comercial da África. Os EUA são o segundo e a França é o terceiro", aponta o relatório, sublinhando que, apesar de tudo, a Rússia tem conseguido "manipular" um grande número de estados africanos.

PUB