Renault apresenta os seus dois primeiros carros elétricos
Cascais, 07 nov (Lusa) - A Renault apresentou hoje os seus dois primeiros veículos elétricos, resultado de uma aposta estratégica de quatro mil milhões de euros para atacar um segmento que valerá, estima a marca, 10 por cento do mercado automóvel mundial em 2020.
A apresentação hoje à comunicação social portuguesa, esteve a cargo de Carlos Tavares, o português que lidera o setor de operações do grupo Renault/Nissan (COO, na sigla inglesa), que anunciou que os dois primeiros modelos, o Fluenze Z.E, uma berlina totalmente elétrica, e o Renault Kangoo Z.E. (zero emissões), chegarão ao mercado nacional a partir de 01 de janeiro do próximo ano, ao preço dos modelos correspondentes a motor térmico.
As expetativas da Renault em relação ao lançamento dos seus modelos elétricos "são de confiança. Vamos entrar no mercado com dois produtos muito fortes, sem esquecer que vamos lançar em 2012 [mais dois modelos]. Portanto, com estes quatro automóveis elétricos, as expetativas são que a Renault venha a ser líder de vendas de veículos elétricos, não somente em Portugal, mas também na Europa e, provavelmente, no mundo", disse o COO da Renault à Agência Lusa.
O objetivo da aliança Renault -- Nissan é chegar aos 1,5 milhões de veículos elétricos a circular até 2016, número que garantirá ao grupo a liderança do mercado mundial, especificou o mesmo responsável.
Os dois primeiros modelos elétricos da Renault a sair para o mercado, indicou ainda Carlos Tavares, destinam-se prioritariamente ao segmento de frotas (70 por cento). Aposta esta que resulta, entre outras razões, do facto de os custos médios de operação por quilómetro estimados para estes veículos representarem cerca de um quinto por comparação com os motores térmicos.
A Renault deu formação específica a um total de 8.600 funcionários, antes de colocar os seus modelos elétricos no mercado, e assinou uma centena de parcerias em todo o mundo. Em 2012, a marca conta ainda com um total de 50 mil postos de abastecimento em toda a Europa, mil dos quais em Portugal, "um dos países mais avançados neste domínio", segundo Carlos Tavares.
A autonomia dos veículos elétricos é uma das maiores preocupações dos consumidores e da marca -- ainda que 85 por cento dos europeus não faça mais de 100 quilómetros por dia, e portanto dentro da autonomia média das atuais baterias, de acordo com estudos da Renault. Este aspeto foi objeto de uma parceria assinada entre a marca e o Governo, que está correr dentro previsto.
"A parceria que temos com o Governo está centrada na infraestrutura, na disponibilidade de postos de carregamento. Seguimos esse desenvolvimento muito de perto e sabemos que já temos mais de 900 pontos de carregamento pelo País. Esse número vai continuar a aumentar até 1.300 pontos muito em breve. Acho que o compromisso foi respeitado e nós respeitámos a nossa parte, trazendo os automóveis, tanto a Renault como a Nissan. Agora, o mercado é que vai decidir da velocidade como tudo isto se vai desenvolver", disse Carlos Tavares à Agência Lusa.
Quanto ao agravamento da crise mundial e à projeção de sombras cada vez mais negras sobre o setor automóvel, determinante no desempenho das exportações portuguesas, Carlos Tavares sublinhou que a "Renault tem em Portugal uma fábrica muito importante, em Cacia, que vai ter em 2011 um nível de produção recorde".