Republicanos e Democratas continuam sem chegar a acordo

As negociações sobre o limite para o endividamento público dos Estados Unidos continuam sem um acordo. A principal dificuldade prende-se com o pagamento da divida a curto prazo. Em todo o mundo, os mercados reagem mal à possibilidade de incumprimento dos EUA. O secretário do Tesouro quer tirar a questão a “arena política”, enquanto Hillary Clinton acredita que vai ser encontrada uma solução que evite o “incumprimento”.

RTP /
Continuam as negociações para evitar o incumprimento a partir de 2 de agosto Kristoffer Tripplaar, EPA

Mais uma tentativa para chegar a acordo entre democratas e republicanos acabou, ontem, por sair frustrada. Os dois partidos têm até 2 de agosto para chegar a um acordo sobre o aumento do teto da dívida soberana, senão a economia do país pode entrar em incumprimento.

A falta de acordo está a assustar os mercados financeiros por todo o mundo, que abriram a negociar em queda. A praça de Lisboa, tal como as congéneres europeias, abriu a cair 0,29 por cento para 7.054,98 pontos. As congéneres europeias oscilavam entre a perda de 0,42 de Londres e a quebra de 1,21 por cento de Milão, com o Euro Stoxx 50 a cair 0,62 por cento para 2.755,86 por cento.

Em Tóquio, o índice Nikkei da bolsa de Tóquio fechou a sessão em baixa de 0,81 por cento, ao fixar-se nos 10.050,01 pontos. O índice Topix encerrou a negociação também com uma queda de 0,79 por cento por cento, para 861,91 pontos. A bolsa de Sydney caiu 1,58%, Hong Kong esteve a perder 0,72 por cento e Shanghai 2,54 por cento.

Hillary Clinton tenta sossegar investidores chineses
De visita à China, Hillary Clinton tentou tranquilizar os seus interlocutores, manifestando esperança num acordo sobre a dívida americana.

"Nós sabemos como é um ponto importante para nós e para vós. Estou confiante que o Congresso fará o que for preciso e chegará a um acordo sobre o limite da dívida, e trabalhará com o presidente Barack Obama sobre medidas que melhorem as perspetivas orçamentais a longo prazo", declarou a norte-americana em Hong Kong.

Os responsáveis chineses “disseram-lhe claramente que investiram bastante nos Estados Unidos" e que esperam que o país "respeite os seus diferentes compromissos financeiros internacionais", revelou um membro da comitiva da secretária de Estado.

A China é o maior detentor de títulos de dívida do Tesouro americano, com 807,4 mil milhões de euros em maio, de acordo com os últimos dados publicados pelos Estados Unidos.

Hillary Clinton admitiu que "se colocam muitas questões à maneira como os Estados Unidos querem resolver o limite da dívida". A “batalha” em Washington "é uma constante da nossa vida política", observou, para notar que é evidência de "como uma sociedade aberta e democrática pode chegar às soluções mais adequadas".

Geithner quer retirar questão “da arena política”

Por seu lado, o secretário do Tesouro não esconde as dificuldades no diálogo político e defende que a questão devia “sair da arena política". Uma proposta rejeitada pelo líder dos republicanos na Câmara dos Representantes, que a classifica de “política e indefensável”.

Já em declarações à CNN, Timothy Geithner considera “impensável que o nosso país não honre as suas obrigações a tempo e horas”.

Os democratas e os republicanos não se entendem quanto à forma de aumentar o nível máximo de dívida pública dos EUA, que contribua para a redução do défice a longo prazo. O modo de evitar o aumento e a subida de impostos são motivos da discórdia.

A proposta republicana contempla cortes significativos nas despesas, mas também 556,83 mil milhões de euros em receitas fiscais suplementares, acumuladas durante 10 anos, por via de uma reforma do sistema tributário. Os cortes na despesa dariam espaço de manobra até 2012, devendo ser negociado um novo acordo ainda antes da corrida presidencial de novembro, em que Obama deverá participar.

Os republicanos têm manifestado oposição a qualquer subida de impostos, mesmo para os contribuintes mais ricos, enquanto os democratas insistem no final das reduções para os maiores contribuintes, decidida por George W. Bush.

Os democratas, que se opõem a um acordo de curta duração para aumentar o nível máximo de dívida pública, preveem o aumento do teto da dívida de 1.740 mil milhões de euros. Este é o montante suficiente para chegar até 2013 e acompanhado por cortes nas despesas a 10 anos.

A dívida dos Estados Unidos está quase a atingir os 14,3 biliões de dólares.
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