Revisões em alta são "ajustamentos"de previsões anteriores excessivamente pessimistas - Economistas
Lisboa, 17 Jul (Lusa) - A revisão em alta das previsões do Fundo Monetário Internacional (FMI) para o crescimento mundial em 2008 é encarada por diversos economistas contactados pela Lusa como um "ajustamento" de estimativas anteriores excessivamente pessimistas.
Para a economista do BPI, Cristina Casalinho, os dados que hoje foram divulgados pelo FMI são uma correcção das previsões anteriores, onde esta entidade foi particularmente pessimista para a economia norte-americana.
O Fundo Monetário Internacional reviu hoje em alta a previsão de crescimento mundial para 2008, para os 4,1 por cento, mas mostrou-se preocupado com as pressões inflacionistas.
"As piores notícias sobre a crise financeira estão incorporadas e agora estamos a viver fenómenos de ajustamento, porque as economias não abrandaram tanto quanto era esperado", explicou Cristina casalinho à Lusa.
Neste sentido, os bancos centrais - sobretudo nos mercados emergentes - vão ser "menos acomodativos" em relação as suas taxas de juro, que deverão subir especialmente no Brasil, Indonésia, Malásia e China.
Na zona Euro, o Banco Central Europeu (BCE) vai ter menos espaço para subir a taxa de juro, disse.
Ainda assim, para Cristina Casalinho, as revisões em alta hoje avançadas pelo FMI são ajustamentos que "têm a ver mais com o mercado e menos com as políticas monetárias".
O economista João Loureiro, por seu turno, estranha as previsões de crescimento para a zona Euro, porque se a inflação sobe, os preços também sobem e o aumento de custos não melhora o crescimento económico.
"A um aumento de inflação, segue-se uma situação de estagflação [combinação entre estagnação do crescimento e inflação]", explicou João Loureiro, professor da Faculdade de Economia da Universidade do Porto, especializado em políticas monetárias e macro-económicas.
Para o professor, as economias continuam a ser "fortemente castigadas" pelo aumento do preço do petróleo e com a ameaça de novos conflitos no Extremo-Oriente que possam provocar uma nova escalada de preços.
"Tudo é incerto e nisto das estimativas há uma grande dificuldade em estimar qual será a evolução do preço das matérias-primas, quer para o final do ano, e muito mais para 2009", disse.
ICO
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