Rocha de Matos defende aposta no trabalho inteligente

O presidente da AIP, Jorge Rocha de Matos, defendeu hoje que Portugal deve tornar-se num dos países mais competitivos da União Europeia, apostando no trabalho inteligente, conjugado com boas práticas públicas e estratégias empresariais assentes no conhecimento.

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"Para atingir este objectivo de grande alcance estratégico, [no horizonte de uma década] não temos outra via que não seja trabalhar inteligentemente, conjugando boas políticas públicas e estratégias empresariais alicerçadas nas tecnologia, inovação e conhecimento", disse Rocha de Matos, por ocasião da cerimónia que assinala o Dia da Competitividade em Portugal.

O evento, organizado pela Associação Industrial Portuguesa (AIP), realiza-se na Assembleia da República e serve para apresentar o "Relatório da Competitividade 2007: Carteira de Indicadores e Principais Tendências".

Além disso, permitirá reflectir sobre o enquadramento estratégico da economia portuguesa no mundo globalizado e questionar os desfios e oportunidades para as empresas na economia do conhecimento.

Segundo Rocha de Matos, melhorar a cadeia de valor da economia portuguesa passa pela "capacidade para alargar e reforçar o nosso portfolio de actividades, bens e serviços transaccionáveis com que nos expomos perante a concorrência".

"Não se trata de um problema exclusivo dos empresários, é um desafio a todos os portugueses que têm de mobilizar-se e construir um país atractivo, inovador, competitivo", sublinhou o presidente da AIP.

O relatório da AIP sobre competitividade, que se publica deste 2003, ano em que a associação deu a conhecer a Carta Magna da Competitividade, reconhece o baixo ritmo de crescimento acumulado de 3,2 por cento do Produto Interno Bruto (PIB) entre 2002 e 2006.

No entanto, este aumento de riqueza, conjugado com o crescimento da população (2,8 por cento no mesmo período), levou a um ligeiro aumento do PIB per capita nos últimos anos.

Apesar disto, em 2006, este indicador, medido em paridade do poder de compra, é o mais baixo na UE 15, correspondendo a 67 por cento da média deste grupo de países.

O relatório refere também que as tecnologias de informação e comunicação constituem uma fonte de melhoria da produtividade e da competitividade, embora no caso português o acesso à internet seja relativamente baixo nas famílias e nas pequenas empresas.

Nestas empresas, a taxa de acesso à internet era de 80 por cento (93 por cento na UE 15 e 95 por cento na UE 27).

Nas médias e grandes empresas, a situação em Portugal não é significativamente diferente do que se regista na União Europeia.

Já no caso das famílias, a comparação é mais desfavorável para Portugal, com uma taxa de acesso de 35 por cento, quando a média da UE 15 é de 58 por cento e da EU 27 é de 55 por cento.

O estudo assinala ainda que em Portugal se nota "uma significativa assimetria consoante o nível de escolaridade das pessoas, com os indivíduos com graus de escolaridade mais avançados a registarem níveis de acesso a Internet comparáveis com o dos outros países europeus e superiores da média da UE a 15".

Quanto à taxa de desemprego em Portugal, que diminuiu 69 por cento entre 2001 e 2005 e em 2006 subiu 0,4 pontos percentuais, atingindo o valor de 67,9 por cento, um valor que, segundo o relatório se situa no grupo de países com taxa de emprego mais elevadas, sendo superior às médias da UE27 e da UE15 (3,5 e 1,9 pontos percentuais, respectivamente).

O estudo refere que o objectivo da Estratégia de Lisboa para a taxa de emprego era alcançar 65 por cento em 2005 e 70 por cento em 2010.

No que concerne ao investimento, o documento destaca que a formação bruta de capital fixo da economia portuguesa contraiu em menos 14,8 por cento entre 2001 e 2006, um resultado para o qual contribuiu a redução dos investimentos público e privado.

Um análise do ensino revela que em Portugal, em 2006, apenas 49,6 por cento dos jovens entre os 20 e os 24 anos dispunha, pelo menos, do ensino secundário, um valor que fica aquém da meta de 65 por cento estabelecida para 2010 pelo Plano Tecnológico, embora reconheça os processos alcançados neste sector.

Já no ensino superior, a situação em Portugal é bastante melhor que no ensino secundário, com frequência de 24,8 por cento de jovens entre os 20 e os 29 anos em 2005.

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