RTP apresenta lucros operacionais de 13 milhões de euros

RTP apresenta lucros operacionais de 13 milhões de euros

Os prejuízos da RTP regrediram em 70 por cento para quase 14 milhões de euros em 2009, revelou esta quarta-feira a administração da empresa pública de rádio e televisão. Segundo as contas apresentadas pelo presidente da estação, Guilherme Costa, o grupo RTP mais do que triplicou os lucros operacionais previstos, mas as contas continuam a ser afectadas pelo endividamento, que excede os 800 milhões de euros.

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Pelo quinto ano consecutivo, a operadora pública de rádio e televisão obteve resultados operacionais positivos. Em 2009, o grupo RTP encaixou lucros de 13 milhões de euros, montante que corresponde a mais do triplo daquilo que havia sido orçamentado. Face a 2008, verifica-se um crescimento de 47,7 por cento nos resultados operacionais da empresa.

O Plano de Actividades e Orçamento para 2009 previa resultados operacionais de 4,1 milhões de euros.

O reforço dos cofres do grupo em 9,1 milhões de euros fica a dever-se, sobretudo, às verbas do Estado - a RTP encaixou, em 2009, mais 9,7 milhões de euros de indemnização compensatória e contribuição para o audiovisual, perfazendo um total de 237,2 milhões. No entanto, registou perdas de 2,6 milhões de euros em receitas de publicidade, para 48,6 milhões. Os custos também cresceram, mas a um ritmo mais brando do que os proveitos, cifrando-se em cinco milhões de euros - mais de 70 por cento dos custos dizem respeito à programação e aos recursos humanos.

Resultados financeiros negativos

Embora permaneçam abaixo da linha de água, os resultados financeiros da RTP sofreram também uma melhoria, passando de 60,8 milhões para 18,7 milhões de euros. "Estes resultados dependem de razões externas. Enquanto a RTP tiver capitais próprios negativos e logo endividamento, os resultados financeiros dependerão sempre da evolução das taxas de juro", justificou Guilherme Costa.

Os capitais próprios negativos evoluíram, em 2009, de 696,6 milhões para 592 milhões de euros. Por outro lado, o passivo bancário caiu em 73 milhões de euros para os 807,9 milhões.

Já os resultados extraordinários passaram de 5,5 milhões de euros positivos para 7,7 milhões negativos. O presidente da RTP justifica esta regressão com os reflexos de 112 rescisões voluntárias concretizadas no termo de 2009, a que se somam provisões de mais de sete milhões de euros com vista à prossecução do processo em 2010: "Saíram 112 pessoas, mas candidataram-se 240. Admitimos que possam sair mais algumas dessas pessoas, portanto aprovisionámos esse valor para fazer face a essa possibilidade".

"Empresa sustentável"

Na apresentação dos números relativos a 2009, Guilherme Costa sustentou que a RTP é "uma empresa sustentável". E afirmou mesmo que, se o equilíbrio financeiro fosse o único critério para a privatização, a operadora estaria "em condições de ser vendida".

Em entrevista à agência Lusa, o presidente da RTP reiterou que os dados relativos aos lucros operacionais "mostram que a empresa tem capacidade de reacção a situações adversas e consegue manter resultados que atestam a sua sustentabilidade económica".

O administrador admite que 2010 "continuará a ser um ano de dificuldades", pelo que tenciona manter os objectivos de "conter os custos de estrutura e de melhorar a qualidade distintiva da programação e outras dimensões do serviço público": "Não é reduzir os custos, é conter".

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