Salário mínimo alemão será mais do dobro do português

Na sequência das negociações para constituir a "Grande Coligação" que governará a Alemanha nos próximos quatro anos, o partido democrata-cristão (CDU) de Angela Merkel cedeu à reivindicação de um salário mínimo, até aqui inexistente no país, que vinha sendo avançada pelo futuro parceiro social-democrata (SPD).

RTP /
Campanha social-democrata pelo salário mínimo fixado por lei Thomas Peter, Reuters

Ao anunciar, hoje, a cedência que acabava de fazer aos social-democratas, Merkel não tentou dourar a pílula e afirmou: "Vamos decidir coisas que, sob o ponto de vista do meu programa, não considero justas, entre elas um salário mínimo generalizado".

Mas a questão tinha-se tornado de vida ou de morte para o projecto da futura coligação, porque, ainda segundo a chanceler, "uma apreciação realista mostra que os social-democratas não vão concluir as negociações [sem um salário mínimo]". A chanceler acrescentou ainda que ela própria e o seu partido iriam fazer tudo para reduzir ao mínimo o impacto negativo que a nova legislação possa ter sobre a criação de postos de trabalho.
Salários mínimos (euros/hora, seg. OCDE)

Luxemburgo - 10,4
França           - 10,2
Bélgica           -   9,5
Irlanda           -   9,0
Polónia           -   4,2
Portugal          -   3,8
Eslováquia       -   3,2

Outros dirigentes democratas-cristãos ou social-cristãos reagiram à pressão social-democrata pelo salário mínimo com menos sangue frio do que Merkel. Assim, o presidente do Governo regional de Sachsen-Anhalt, Reiner Haseloff, sustentou que "o salário mínimo arruinou a Alemanha de Leste. Não devemos repetir o mesmo erro".

Não foram avançados mais detalhes sobre o montante do salário nem sobre a data em que será emitida a legislação com vista a introduzi-lo. Em todo o caso, é conhecido o valor reivindicado pelo SPD: 8,5 euros por hora. Se a reivindicação fosse satisfeita, o salário mínimo alemão ficaria em mais do dobro do português mas, ainda assim, abaixo do irlandês.
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