Economia
Salários nominais caem pela primeira vez em 14 anos
Os salários nominais dos portugueses desceram pela primeira vez em 14 anos, com os trabalhadores dos escalões inferiores a serem mais prejudicados que os gestores das empresas. São estas as principais conclusões de um estudo da consultora Mercer publicado esta segunda-feira, que mostra ainda que a tendência do mercado de trabalho em Portugal é para substituir funcionários, contratando trabalhadores que desempenhem as mesmas funções por menos dinheiro.
Segundo o estudo da Mercer, que escrutina o mercado português desde 1998, os salários nominais, que correspondem ao valor que os trabalhadores levam para casa ao final do mês, baixaram em termos absolutos. As remunerações vão manter-se “sob pressão”, diz a consultora, até que os números do desemprego sofram uma viragem.
“O ciclo de ajustamento económico que atravessamos” é o principal motivo avançado pela Mercer para o “número excecionalmente elevado de empresas (26 por cento da amostra analisada) a congelarem os incrementos salariais como medida de redução do peso da massa salarial na estrutura de custos”.
Além disso, “e devido ao efeito de novas entradas de colaboradores a níveis salariais mais baixos, verifica-se uma ocorrência rara: uma diminuição em termos absolutos dos níveis salariais agregados de muitas funções e níveis funcionais", declarou à Lusa o responsável pelos estudos de mercado para Portugal da consultora, Tiago Borges.
Diretores ganham o mesmo
A taxa de desemprego superior a 15 por cento torna o mercado mais competitivo e nivela o tecto salarial por baixo: há mais pessoas dispostas a trabalhar por menos dinheiro. “Como não podem baixar o salário a quem já está na empresa, reduzem-no a quem entra. Seja por saírem do desemprego ou das universidades, assumem essas responsabilidades a um valor abaixo do standard até este ano”, explicou Tiago Borges ao Jornal de Negócios.
Os escalões mais afetados por esta tendência são os mais baixos: os operários da indústria viram o valor nominal do seu salário reduzido em 1,8 por cento, seguidos dos detentores de cargos administrativos, que perderam 1,27 por cento do ordenado. Os cargos mais elevados da hierarquia, no caso diretores-gerais e administradores de empresas, perderam 0,37 por cento do salário em 2012.
Os diretores e gestores de topo praticamente não sentiram o efeito da desvalorização salarial, registando uma perda média de 0,01 por cento. Uma situação “normal”, considera o especialista da Mercer, porque "o efeito da taxa de substituição dos colaboradores é mais sentido em níveis de responsabilidade mais baixo".
Ou seja, “os CEO têm mais antiguidade e estabilidade dentro da empresa, contratos de longa duração, o que não acontece com outras funções. Além disso é mais difícil substituir estes quadros por alguém com um menor nível salarial”, argumenta Tiago Borges, em declarações ao Público.
Desemprego "pressiona" 2013
Apesar de esta ser a primeira vez, desde que há dados, que existe uma redução absoluta dos salários nominais, a Mercer reconhece que desde 2008 tem vindo a registar-se uma diminuição dos salários reais. Além disso, desde 2008 que os salários não acompanham a subida da inflação.
O ano que vem não promete trazer melhores notícias. "As perspetivas de incremento salarial continuem muito alinhadas" com 2012, diz Tiago Borges, acrescentando que "a tendência vai continuar enquanto exista uma pressão por parte do desemprego”.
Em 2013, 60 por cento das empresas inquiridas pela consultora admitem manter o número de colaboradores, ao passo que 23 por cento, “uma percentagem relevante”, ponderam reduzir a massa assalariada ainda este ano, e 18 por cento tencionam fazê-lo em 2013. Quanto aos salários, as empresas que consideram aumentá-los falam em 1,56 por cento no caso dos diretores e 1,2 por cento na administração. Para operários e administrativos a subida potencial é de 1,46 por cento.
Adiantamentos não são "caridade"
Outra das conclusões da Mercer prende-se com os empréstimos ou adiantamentos de salários aos trabalhadores. O estudo revela que, este ano, uma em cada quatro empresas, ou 27 por cento, concedeu este benefício aos colaboradores, maioritariamente em casos de emergência (88 por cento). O valor não difere muito do registado no ano passado (26 por cento) apesar de ser o mais alto de sempre e de confirmar a tendência que se verifica desde 2008.
“As empresas não o fazem por caridade. Ao adiantar o salário estão a aliviar uma situação que poderia fazer diminuir a produtividade”, diz Tiago Borges ao Público.
O inquérito revela ainda que as empresas têm mantido estável a atribuição dos restantes benefícios que cabem aos trabalhadores. Quarenta por cento dos empregadores garantem conceder aos trabalhadores complementos do subsídio de doença, 87 por cento dizem oferecer um plano médico, 54 por cento afirmam conceder um seguro de acidentes pessoais, 43 por cento um plano de pensões e 49 por cento declaram que dão dias de férias extra aos funcionários.
O estudo "Mercer Total Compensation Portugal 2012" teve como base de estudo 108 837 postos de trabalho em 296 empresas do mercado português, das quais 60 por cento são multinacionais, 39 por cento são companhias nacionais privadas e um por cento empresas nacionais públicas.
“O ciclo de ajustamento económico que atravessamos” é o principal motivo avançado pela Mercer para o “número excecionalmente elevado de empresas (26 por cento da amostra analisada) a congelarem os incrementos salariais como medida de redução do peso da massa salarial na estrutura de custos”.
Além disso, “e devido ao efeito de novas entradas de colaboradores a níveis salariais mais baixos, verifica-se uma ocorrência rara: uma diminuição em termos absolutos dos níveis salariais agregados de muitas funções e níveis funcionais", declarou à Lusa o responsável pelos estudos de mercado para Portugal da consultora, Tiago Borges.
Diretores ganham o mesmo
A taxa de desemprego superior a 15 por cento torna o mercado mais competitivo e nivela o tecto salarial por baixo: há mais pessoas dispostas a trabalhar por menos dinheiro. “Como não podem baixar o salário a quem já está na empresa, reduzem-no a quem entra. Seja por saírem do desemprego ou das universidades, assumem essas responsabilidades a um valor abaixo do standard até este ano”, explicou Tiago Borges ao Jornal de Negócios.
Os escalões mais afetados por esta tendência são os mais baixos: os operários da indústria viram o valor nominal do seu salário reduzido em 1,8 por cento, seguidos dos detentores de cargos administrativos, que perderam 1,27 por cento do ordenado. Os cargos mais elevados da hierarquia, no caso diretores-gerais e administradores de empresas, perderam 0,37 por cento do salário em 2012.
Os diretores e gestores de topo praticamente não sentiram o efeito da desvalorização salarial, registando uma perda média de 0,01 por cento. Uma situação “normal”, considera o especialista da Mercer, porque "o efeito da taxa de substituição dos colaboradores é mais sentido em níveis de responsabilidade mais baixo".
Ou seja, “os CEO têm mais antiguidade e estabilidade dentro da empresa, contratos de longa duração, o que não acontece com outras funções. Além disso é mais difícil substituir estes quadros por alguém com um menor nível salarial”, argumenta Tiago Borges, em declarações ao Público.
Desemprego "pressiona" 2013
Apesar de esta ser a primeira vez, desde que há dados, que existe uma redução absoluta dos salários nominais, a Mercer reconhece que desde 2008 tem vindo a registar-se uma diminuição dos salários reais. Além disso, desde 2008 que os salários não acompanham a subida da inflação.
O ano que vem não promete trazer melhores notícias. "As perspetivas de incremento salarial continuem muito alinhadas" com 2012, diz Tiago Borges, acrescentando que "a tendência vai continuar enquanto exista uma pressão por parte do desemprego”.
Em 2013, 60 por cento das empresas inquiridas pela consultora admitem manter o número de colaboradores, ao passo que 23 por cento, “uma percentagem relevante”, ponderam reduzir a massa assalariada ainda este ano, e 18 por cento tencionam fazê-lo em 2013. Quanto aos salários, as empresas que consideram aumentá-los falam em 1,56 por cento no caso dos diretores e 1,2 por cento na administração. Para operários e administrativos a subida potencial é de 1,46 por cento.
Adiantamentos não são "caridade"
Outra das conclusões da Mercer prende-se com os empréstimos ou adiantamentos de salários aos trabalhadores. O estudo revela que, este ano, uma em cada quatro empresas, ou 27 por cento, concedeu este benefício aos colaboradores, maioritariamente em casos de emergência (88 por cento). O valor não difere muito do registado no ano passado (26 por cento) apesar de ser o mais alto de sempre e de confirmar a tendência que se verifica desde 2008.
“As empresas não o fazem por caridade. Ao adiantar o salário estão a aliviar uma situação que poderia fazer diminuir a produtividade”, diz Tiago Borges ao Público.
O inquérito revela ainda que as empresas têm mantido estável a atribuição dos restantes benefícios que cabem aos trabalhadores. Quarenta por cento dos empregadores garantem conceder aos trabalhadores complementos do subsídio de doença, 87 por cento dizem oferecer um plano médico, 54 por cento afirmam conceder um seguro de acidentes pessoais, 43 por cento um plano de pensões e 49 por cento declaram que dão dias de férias extra aos funcionários.
O estudo "Mercer Total Compensation Portugal 2012" teve como base de estudo 108 837 postos de trabalho em 296 empresas do mercado português, das quais 60 por cento são multinacionais, 39 por cento são companhias nacionais privadas e um por cento empresas nacionais públicas.