Santos Ferreira demite-se da CGD na próxima semana para aceitar presidência do BCP
Lisboa, 22 Dez (Lusa) - Carlos Santos Ferreira vai apresentar a sua demisão do cargo de presidente da Caixa Geral de Depósitos (CGD) no início da próxima semana, para aceitar ser candidato à presidência do Banco Comercial Português (BCP), disse à agência Lusa fonte de um dos accionistas do maior banco privado português.
A demissão de Santos Ferreira da presidência da CGD surge depois de o seu nome ter reunido um apoio alargado entre os principais accionistas do banco, que hoje se reuniram num encontro promovido pelo presidente do conselho de administração da EDP - Energias de Portugal, António Mexia, e que durou cerca de três horas.
Além do presidente da EDP, que detém cerca de 3 por cento do BCP, estiveram presentes na reunião o presidente da comissão executiva do BPI, Fernando Ulrich, que representa cerca de 8,8 por cento do banco, e Pedro Teixeira Duarte, que representa cerca de 6 por cento da instituição financeira.
O investidor Joe Berardo, que detém cerca de 7 por cento do BCP, também esteve presente, assim como Moniz da Maia e Manuel Fino, que têm sido seus aliados na procura de alternativas para a gestão do banco.
No final da reunião, Berardo afirmou que o resultado da reunião foi de "fumo branco", enquanto Ulrich concordava, em resposta aos jornalistas, que a crise tinha acabado.
"Foram feitos progressos importantes", disse outro accionista, João Rendeiro, presidente do Banco Privado Português (BPP), indicando que deverá haver uma lista de consenso alargado para a gestão do banco.
O ainda presidente da CGD, Santos Ferreira, esteve também presente na reunião, sendo que o banco estatal detém cerca de 2 por cento do BCP.
A crise no maior banco privado português agudizou-se sexta-feira, quando foi noticiado que o governador do Banco de Portugal desaconselhava a candidatura de Filipe Pinhal e Christopher de Beck à liderança do BCP, depois dos indícios encontrados nas investigações que tanto o regulador do sector bancário como a Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) estão a fazer ao banco.
Ainda a 21 de Dezembro, Vítor Constâncio reuniu-se com os principais accionistas do BCP e terá desaconselhado, também, que estes apoiassem elementos que integraram a gestão do banco nos últimos sete anos, já que os indícios de irregularidades remontam a 2000 e 2001.
Em consequência, Pinhal e de Beck decidiram retirar a sua candidatura e grandes accionistas do banco, como a holandesa Eureko, que detém cerca de 7 por cento do capital, contactaram Santos Ferreira para este assumir a presidência do maior banco privado português, sucedendo a Filipe Pinhal.
Santos Ferreira, que termina o seu mandato na CGD a 31 de Dezembro próximo, contactou o primeiro-ministro, José Sócrates, e o ministro das Finanças, Fernando Teixeira dos Santos, e fez saber que estaria disponível para liderar o BCP, desde que houvesse um forte apoio accionista.
José Sócrates questionado hoje sobre a situação do banco, recusaou comentar, mas disse esperar que os accionistas escolham uma administração "o mais rapidamente possível".
O apoio necessário a Santos Ferreira ficou definido hoje e a tempo de ser apresentada uma lista aos órgãos sociais do banco até 28 de Dezembro, para ser votada na assembleia geral de 15 de Janeiro.
RSF.
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