Secil exige que importadores de clínquer cumpram normas aplicadas a nacionais
A cimenteira Secil pediu às autoridades que exijam aos importadores de clínquer o cumprimento das condições que impõem à indústria portuguesa, depois de uma descarga deste material ter provocado uma nuvem de poeira em Sines.
O apelo da Secil surge na sequência das notícias de uma descarga de 60.000 toneladas de clínquer no porto de Sines, operação que foi interrompida pela delegada de saúde, no final de Outubro, devido à libertação de uma nuvem de poeira que atingiu a cidade alentejana.
A cimenteira justifica a necessidade de um "esclarecimento público", alegando que alguns órgãos de comunicação social que divulgaram a notícia "disseram apenas que o produto se destinava à produção de cimento por uma empresa com fábrica em Setúbal", o que terá levado a que algumas pessoas acreditassem, erradamente, que se tratava de uma importação de cimento para a Secil.
Segundo refere a empresa em comunicado, a descarga de clínquer no Porto de Sines "não se destina à Secil nem à outra empresa portuguesa com produção integrada de cimentos, a Cimpor, mas sim à CNE - Cimentos Nacionais e Estrangeiros, empresa que apenas se dedica à fase final de produção de cimento, a partir de clínquer importado, neste caso da China".
"A Secil produz os seus cimentos com clínquer feito em Portugal, com trabalhadores, técnicos e matérias-primas nacionais, razão pela qual não necessita de importar clínquer", esclarece a empresa cimenteira.
A delegada de Saúde de Sines, Fernanda Santos, suspendeu dia 28 de Outubro uma operação de descarga de clínquer do navio "Samhohn Captain" no porto de Sines, por motivos de "saúde pública", alegando que, face à direcção dos ventos, a operação de descarga poderia afectar a saúde dos trabalhadores do terminal XXI - terminal de contentores - devido à inalação de clínquer.
Na altura, o presidente da Câmara de Sines, Manuel Coelho, manifestou também a intenção de recorrer a todos os meios legais para tentar impedir descargas de clínquer no porto de Sines, argumentando que aquela infra-estrutura portuária não dispõe dos equipamentos necessários para proceder àquele tipo de operação.
Para além do "Samjohn Captain", que transportava cerca de 63 mil toneladas de clínquer proveniente da China, estava prevista para a semana passada a chegada de mais um carregamento de clínquer que se destinava à empresa Cimentos Nacionais e Estrangeiros (CNE), de Setúbal.
No entanto, a chegada do segundo navio tem sido sucessivamente adiada, estando agora prevista, segundo o site da Administração do Porto de Sines, para as 20:00 de sexta-feira.
Segundo o mesmo site, o navio "Samjohn Captain" abandonou a zona onde se encontrava fundeado há vários dias, ao largo de Sines, com direcção ao Porto de Setúbal.