Sergio Marchionne, o homem que salvou a Fiat, morreu aos 66 anos

O italo-canadiano, Sergio Marchionne, que durante anos dirigiu o grupo Fiat Chryseler, morreu esta quarta-feira aos 66 anos. Marchionne, que deixou a liderança do grupo no passado fim-de-semana por motivos de saúde, foi apontado como o responsável da reviravolta da Fiat, depois de retirar a empresa do precipício da bancarrota em 2004.

RTP /
Alessandro Garofalo - Reuters

Em Roma, a Câmara dos Deputados fez um minuto de silêncio em homenagem a Sergio Marchionne.

“É com grande tristeza que a Exor teve conhecimento da morte de Sergio Marchionne, afirmou a Exor, holding da família Agnelli, proprietária histórica da Fiat.
Esta quarta-feira, as ações da empresa caíram mais de 10 por cento na bolsa de Milão.

O presidente da Exor, John Elkann, neto de Gianni Agnelli, figura histórica da Fiat, destacou os "valores de humanidade, a responsabilidade e a abertura moral que (Marchionne) promoveu convictamente".

No sábado, a Fiat Chrysler tinha indicado que o estado de saúde de Marchionne tinha piorado na sequência de "complicações inesperadas após uma operação".

Inicialmente estava previsto que Marchionne, que assumiu a liderança da Fiat em 2004, deixasse o cargo neste grupo ao longo de 2019 e na Ferrari em 2021.
“Recuperador de empresas”
Sergio Marchionne descreveu-se a si mesmo como “um recuperador de empresas”.

Sergio Marchionne passou pela liderança de outras empresas antes de ser eleito, em maio de 2003, como membro independente da Fiat SPA. Em 2004, passou a presidente executivo.

Em junho de 2004 o grupo estava à beira da falência. No entanto, Marchionne acabou por levar a empresa para a bolsa de Nova Iorque.

O grupo FCA (Fiat Chryseler Automobiles) aglomera os fabricantes de automóveis como a Fiat, Lancia, Jeep, Maserati e Alfa Romeu.

Quando chegou à liderança do grupo, Sergio Marchionne tornou-se o quinto CEO da Fiat em menos de dois anos, e recebeu uma empresa que tinha registado prejuízos de mais de seis mil milhões de euros em 2003.
A General Motors pagou à Fiat mais de dois milhões e meio de euros para vender diretamente nos Estados Unidos.
Em 2005, a Fiat estava de regresso aos lucros, depois de Marchionne ter chegado a um acordo com a General Motors que rendeu dois mil milhões de dólares, dispensando milhares de trabalhadores, introduzindo novos modelos e reduzindo o tempo necessário para colocar um automóvel no mercado de quatro anos para 18 meses.

Em 2009, a Fiat comprou a Chrysler, que com a crise financeira estava à beira da rutura. E Marchionne é escolhido para ficar também à frente da fabricante norte-americana de automóveis (com as marcas Jeep, Dodge e Ram).

Sergio Marchionne nasceu em Chieti, na região de Abrzzo, na Itália. Aos treze anos imigrou para o Canadá. Foi contabilista na Delloie e trabalhou como executivo em várias empresas, até 1997, quando chegou a presidente executivo da Algroup (Alusuisse) que fabrica componentes automóveis.

Marchionne aumentou, nos 14 anos em que esteve à frente dos destinos da Fiat, em mais de 10 vezes o valor da empresa automóvel.

Sergio Marchionne morreu esta quarta-feira depois de uma operação a um tumor maligno num ombro, seguido de uma embolia que o deixou em coma profundo nos cuidados intensivos do Hospital Universitário de Zurique, na Suíça.

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