Setor farmacêutico foi o que mais procurou serviços de `outplacement` em 2012
Lisboa, 13 jan (Lusa) - A indústria farmacêutica foi, no ano passado, o setor que mais procurou os serviços de `outplacement` em Portugal para recolocar os trabalhadores dispensados, segundo as empresas consultadas pela Agência Lusa.
O `outplacement` é um serviço direcionado para as transições de carreira que visa a recolocação dos profissionais despedidos, ajudando os trabalhadores a encontrar um novo emprego ou a montar um negócio próprio.
O `outplacement` começou por ser usado pelas grandes multinacionais, mas são cada vez mais as empresas portuguesas que recorrem a esta ferramenta de gestão de recursos humanos.
No caso da Transitar, uma das empresas que gerem este tipo de processos em Portugal, o peso das empresas nacionais "aproxima-se dos 40%", disse à Lusa o diretor-geral, Yves Turquin, acrescentando que se tratam, essencialmente, de empresas "que têm uma imagem, uma marca a defender".
Em 2012, o setor farmacêutico representou mais de metade da procura da Transitar, o que Yves Turquin considerou como um efeito conjuntural relacionado com um setor "que está a ser muito castigado" e que se caracteriza pela responsabilidade social.
Também a diretora-geral da LHH/DBM Portugal, Anabela Ventura, confirmou a elevada procura: o setor foi responsável por cerca de 30% dos contratos de `outplacement` da LHH/DBM, situação que explicou com as "reestruturações e ajustamentos" que muitas farmacêuticas se viram obrigadas a fazer no ano passado.
O setor alimentar (18%), banca (13%) e telecomunicações/Tecnologias da Informação (11%) destacaram-se também.
E apesar do aumento do desemprego, o tempo médio de recolocação diminuiu.
Na Transitar, passou de 5,9 meses em 2011 para 5,7 meses no ano passado.
"Em 2012, houve mais pressa para se recolocarem, eventualmente por sentirem maior pressão financeira", admite Yves Turquin.
Anabela Ventura salientou que, também entre os profissionais acompanhados pela LHH/DBM, o prazo de recolocação tendeu a diminuir, acrescentando, por outro lado, que "não se pode falar em taxa de recolocação sem pensar em formação, idade e funções que [os trabalhadores] ocupavam" nas empresas de onde saíram.
No ano passado, os profissionais com menos de 40 anos acompanhados pela LHH/DBM encontraram um novo emprego em 5,7 meses em média (5,6 em 2011) e os que tinham idade igual ou superior a 40 anos demoraram um tempo médio de 7,5 meses (8,5 em 2011), mas cerca de metade fizeram-no em menos de seis meses.
"As pessoas sentem-se mais pressionadas a encontrar emprego, o fundo de desemprego diminuiu... A conjuntura está difícil e acham que não podem perder tempo", justifica.
Mas acrescenta: "há uma grande diferença entre as pessoas com que trabalhamos e outros desempregados que não tem nenhum suporte".
O `outplacement` envolve várias fases: apoio psicológico aos candidatos para os ajudar a superar o momento traumático do desemprego, um balanço do percurso profissional do candidato para descobrir o que o motiva, criação de um plano de `marketing` pessoal e definição de um projeto profissional de longo prazo.
A empresa ensina, por exemplo, a redigir currículos, elaborar cartas de motivação, saber comportar-se nas entrevistas e ajuda os que se querem tornar empreendedores.
A Transitar obteve, em 2012, uma taxa de recolocação geral de 73%, o que significa que três quartos dos candidatos encontraram nova solução profissional.
Mas há quem não volte a ingressar no mercado de trabalho, nem sequer através da criação de um negócio.
Cerca de 12% de trabalhadores que a Transitar acompanhou dedicaram-se a um "projeto pessoal" e 23% dos despedidos tornaram-se empreendedores e avançaram para a criação da própria empresa.
O setor comercial foi o que absorveu mais candidatos (26%), mas a indústria farmacêutica absorveu apenas 0,8% dos candidatos e a construção nem entrou nas estatísticas da Transitar.
"Trabalhámos pouco com o setor da construção que privilegia a mobilidade geográfica", observou Yves Turquin.
Contrastando com os setores de menor empregabilidade, Yves Turquin notou que há áreas onde a oferta continua a ser superior à procura, nomeadamente as áreas técnicas e de produção.
Anabela Ventura destaca também a descida dos níveis salariais: as novas ofertas são 20% abaixo do que ganhavam e chegam até a ser superiores, dependendo do setor de atividade.
"Arranjam novas oportunidades, mas vão ganhar menos", constata a responsável da LHH/DBM.