Sindicato acusa TAP de reduzir tripulação mas companhia diz que são "situações excecionais"
Lisboa, 09 jun (Lusa) - O Sindicato do Pessoal de Voo da Aviação Civil (SNPVAC) acusou hoje a TAP de pretender retirar um elemento da tripulação dos voos de médio curso, mas a companhia diz que são "situações excecionais", resultantes de "picos de absentismo".
"A TAP está a preparar-se para realizar todos os voos de médio curso apenas com a tripulação mínima de segurança e assim não há serviço ao passageiro, o que nos leva a questionar se a TAP se pretende transformar numa empresa `low cost`", disse hoje à Lusa o diretor do SNPVAC, Ricardo Andrade, admitindo o recurso à greve.
Fonte oficial da TAP adiantou à Lusa que a realização de voos com a tripulação mínima "tem a ver com o pico de absentismo com que a companhia se confrontou", tratando-se de "situações excecionais".
"Entre fazer os voos com tripulação mínima e não fazer de todo, a TAP prefere fazer", acrescentou fonte oficial da companhia aérea.
O sindicalista acusou a TAP de pretender "realizar todos os voos de médio curso apenas com a tripulação mínima de segurança, passando por cima do Acordo de Empresa, bem como do Regime Transitório, assinado no ano passado".
Em declarações à Lusa, Ricardo Andrade considerou que "os tripulantes de cabine não podem continuar a permitir que os normativos sejam desrespeitados", admitindo o recurso à greve, à semelhança do que aconteceu há um ano.
Em junho de 2011, os tripulantes da TAP avançaram com um pré-aviso de greve contra a retirada de um elemento da tripulação dos voos, que foi desconvocada depois de terem chegado a um entendimento com a empresa.
Neste contexto, o sindicalista apelou ainda à intervenção "urgente" do Governo junto da administração da companhia, liderada por Fernando Pinto.
"Sabemos que quem manda é o Governo, que em outras situações mostrou grande interesse em ter paz social na TAP, para que intervenha junto à administração da TAP", declarou.
O SNPVAC adiantou que tomou conhecimento desta alegada decisão da TAP, através de uma comunicação interna, assinada pelo diretor de Operações de Voo da TAP Portugal, mas a companhia rejeita que haja qualquer decisão de redução da tripulação nesse documento.