Sindicato da Hotelaria denuncia exploração de milhares de imigrantes
Porto, 18 Dez (Lusa) - O Sindicato dos Trabalhadores da Indústria de Hotelaria do Norte (STIHN) denunciou hoje a existência de milhares de imigrantes ilegais vítimas de exploração devido ao incumprimento da nova legislação por parte de organismos públicos.
Em comunicado, o sindicato refere que "existem em Portugal mais de 40 mil imigrantes ilegais que, por esse facto, são vítimas de exploração desenfreada de patrões sem escrúpulos".
"Nos restaurantes, cafés, pastelarias e similares, muitos destes trabalhadores, em particular brasileiros, são obrigados a trabalhar mais de 10 horas diárias, não têm folgas e recebem abaixo da tabela salarial do sector", sustenta o comunicado.
O texto do STIHN afirma que estes trabalhadores, quando reclamam os seus direitos ou a empresa sabe que se inscreveram no sindicato, ficam sem alojamento, são ameaçados de despedimento e de expulsão.
"Mesmo os que possuem visto regularizado vivem situações de sobressalto, porque há empresas que os ameaçam de não lhes renovar o contrato", acrescenta o comunicado.
O texto sindical indica que há "centros regionais da Segurança Social que continuam a aplicar a legislação de 2004", e "centros de saúde que recusam assistência médica aos imigrantes que não possuam cartão de utente".
Sustenta ainda que a "Segurança Social recusa descontos de imigrantes que estão a trabalhar sem visto em dia" e também "a inscrição de imigrantes em processo de legalização".
Adianta ainda que os imigrantes ilegais continuam a ter dificuldades em abrir contas bancárias, contrair empréstimos, arrendar casa e requerer água, luz e telefone.
Para o sindicato, o Estado "tem o dever de garantir uma integração harmonizada na sociedade portuguesa destes trabalhadores".
"Nada justifica a situação precária dos imigrantes no plano laboral e no plano da cidadania", conclui o comunicado do STIHN.
Sexta-feira, a Comissão Nacional para a Legalização de Imigrantes (CNLI) denunciou os problemas que a Segurança Social está a criar ao não aceitar inscrições, o que impede milhares de estrangeiros de legalizarem a sua situação.
"Desde Agosto, quando entrou em vigor a nova lei de estrangeiros, há mais de 40 mil pedidos na Segurança Social que ainda não tiveram resposta", afirmou Manuel Solla, presidente da CNLI, em declarações à Lusa.
Manuel Solla recordou que a nova legislação permite, em situações excepcionais, que imigrantes ilegais possam requerer a sua legalização, sendo apenas exigida uma manifestação de interesse nesse sentido e a apresentação de dois documentos.
JAP/FR.
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