Sindicato do pessoal de voo cumpre acordo de empresa e recusa voar em folgas

O sindicato de pessoal de voo vai cumprir integralmente o Acordo de Empresa, recusando voar em folga ou repouso, decisão que "terá o mesmo efeito de uma greve" e pode "parar a operação da companhia", disse hoje a sua presidente.

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"Tem o mesmo resultado que fazer uma greve, porque a TAP vive da colaboração dos tripulantes de cabine", explicou à Agência Lusa a presidente do Sindicato Nacional do Pessoal de Voo da Aviação Civil (SNPVAC), Cristina Vigon, no final da Assembleia-Geral de emergência, realizada de terça-feira.

Sem aumentos salariais ou atribuição de prémios, redução de pessoal na tripulação e desinvestimento na área da formação, o sindicato do pessoal de voo tomou a decisão de cumprir o Acordo de Empresa, em vigor desde Fevereiro de 2006.

A mesma dirigente explicou ainda que a TAP quer fazer "tábua rasa" do Acordo de Empresa em vigor, ao apresentar uma proposta de protocolo para a "Operação de Verão", que ia por em causa cláusulas vitais do Acordo de Empresa.

O grupo de trabalhadores, que tem "sacrificado o seu descanso" para a "viabilizar a TAP e colaborar de forma decisiva para a sua expansão", considera ter tido "um tratamento infinitamente ofensivo, ao proporem mais sacrifícios".

Cristina Vigon afirmou ainda que a TAP criou "uma crise no sector da formação profissional do tripulantes de cabine", levando a uma "demissão em massa" ao baixar salários e fazer alterações no programa de formação.

Esta situação conduziu a um défice na formação de tripulantes para funções de comissário, assistente de bordo, chefe de cabine e supervisor de cabine, uma condição que, para o sindicato, põe em risco os padrões de qualidade do serviço a bordo e de segurança já reconhecidos.

A TAP é considerada um das 10 companhias aéreas mais seguras do mundo e muito em parte pela "garantia de uma formação excelente", disse Cristina Vigon.

"Não é reduzindo a formação que se consegue manter os mesmos parâmetros", disse, acrescentando que se já tinham falta de tripulantes "com a crise na formação, ainda temos menos".

O SNPVAC responsabilizou também a TAP pela má gestão do pessoal de voo para as operações que pretende realizar, nomeadamente com a abertura de novas linhas, o aumento de frequências e a aquisição de novos aviões.

O SNPVAC deliberou ainda manter a Assembleia em aberto para acompanhar o desenvolvimento dos acontecimentos e estudar as próximas acções de luta.

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